As apreensões de canetas emagrecedoras realizadas pela Receita Federal em Mato Grosso do Sul alcançaram R$ 5,9 milhões entre janeiro e 13 de julho de 2026. O valor é quase quatro vezes superior aos R$ 1,5 milhão registrados durante todo o ano de 2025 e evidencia o crescimento acelerado da entrada irregular desse tipo de medicamento no Estado.
Na comparação com 2024, a diferença é ainda mais expressiva. Naquele ano, as apreensões somaram apenas R$ 2 mil. Em 2025, saltaram para R$ 1,5 milhão e, em pouco mais de seis meses deste ano, já chegaram aos R$ 5,9 milhões.
O montante apreendido em 2026 corresponde a aproximadamente 3,9 vezes o registrado nos 12 meses do ano passado, o que representa crescimento próximo de 293%. Como os dados disponíveis vão somente até 13 de julho, o total ainda pode aumentar significativamente até dezembro.
A expansão observada em Mato Grosso do Sul acompanha uma tendência nacional. Dados da Receita Federal mostram que o valor das canetas emagrecedoras apreendidas no Brasil passou de cerca de R$ 4 milhões no primeiro semestre de 2025 para mais de R$ 80 milhões no mesmo período de 2026.
Isso significa que, em apenas um ano, o valor das mercadorias recolhidas no País aumentou mais de 20 vezes.
Os valores contabilizados, no entanto, não permitem determinar exatamente quantas canetas foram retiradas de circulação. Os levantamentos da Receita consideram o valor estimado dos produtos apreendidos, sem necessariamente apresentar a quantidade individual de medicamentos correspondente aos montantes financeiros.
Mercado clandestino cresce
O avanço das apreensões ocorre em meio ao aumento da circulação de medicamentos que entram no Brasil sem autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Produtos sem registro sanitário ou que não tenham comercialização autorizada pela agência reguladora não podem ser legalmente importados ou vendidos no território brasileiro.
O superintendente regional adjunto da 1ª Região Fiscal da Receita Federal, Erivelto Moysés Torrico Alencar, alertou recentemente para os impactos econômicos e sanitários provocados pelo comércio clandestino desses medicamentos.
Além da concorrência desleal com empresas que atuam regularmente no mercado brasileiro, produtos sem procedência adequada podem chegar aos consumidores sem garantias de qualidade, armazenamento, eficácia e segurança.
Outro fator que preocupa os órgãos fiscalizadores é o crescimento das vendas pela internet. A Receita Federal identificou medicamentos irregulares sendo anunciados em plataformas de comércio eletrônico e marketplaces, inclusive por vendedores que não possuem autorização para comercializar esse tipo de produto.
Mato Grosso do Sul também aparece como ponto estratégico nesse cenário por causa da extensa faixa de fronteira com o Paraguai, uma das rotas utilizadas para a entrada dos medicamentos no Brasil.
Diante do crescimento desse mercado, Brasil e Paraguai ampliaram a cooperação entre a Anvisa e a Dinavisa, autoridade sanitária paraguaia. As medidas incluem troca de informações, compartilhamento de resultados de testes laboratoriais, apoio a fiscalizações nas regiões fronteiriças e ações conjuntas de combate à falsificação e ao contrabando.
Mais de 2,2 mil unidades em uma única fiscalização
Uma das maiores apreensões recentes ocorreu em Campo Grande no dia 25 de junho. A Vigilância Sanitária encontrou 2.225 canetas emagrecedoras e ampolas de produtos estéticos em uma transportadora da Capital.
A carga foi avaliada em aproximadamente R$ 1 milhão.
A operação começou após uma comunicação da Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda) e integrou as ações do programa Visa Protege, voltado à fiscalização de distribuidoras, transportadoras e agências dos Correios.
O volume localizado em uma única ação chamou a atenção dos fiscais. As 2.225 unidades apreendidas naquele dia correspondiam, aproximadamente, à quantidade que anteriormente costumava ser recolhida durante um mês inteiro de fiscalizações realizadas nos Correios.
A intensificação das apreensões reforça o alerta das autoridades para a expansão do mercado ilegal de medicamentos emagrecedores e para os riscos associados à utilização de produtos sem origem comprovada ou autorização sanitária no Brasil.
