Os três aviões roubados do Aeroporto Municipal de Aquidauana, em setembro de 2021, foram localizados nesta quarta-feira (26) na Bolívia, quase cinco anos depois do crime. As aeronaves estavam no hangar 13 do Aeródromo Mondaca, em Cotoca, no departamento de Santa Cruz.
O local, também conhecido comercialmente como La Cruceña, permanece interditado para operações aéreas civis e comerciais desde uma grande operação realizada pelas autoridades bolivianas contra o tráfico de drogas, em março de 2022. Na ocasião, dezenas de aeronaves foram apreendidas e suspeitos de envolvimento com o narcotráfico acabaram presos.
Entre os aviões encontrados está o Bonanza V35B, de matrícula PT-ING, pertencente ao pecuarista Zelito Ribeiro e a Joel Jacques. Também foi localizado o Cessna 182 Skylane, matrícula PT-KDI, do ex-prefeito de Aquidauana José Trindade.
A terceira aeronave é outro Cessna 182 Skylane, de matrícula PT-DST, pertencente ao cantor e compositor sul-mato-grossense Almir Sater.
Apesar da localização, a recuperação dos aviões ainda depende de procedimentos junto às autoridades bolivianas. Os proprietários buscam autorização para que especialistas brasileiros tenham acesso ao aeródromo e façam a identificação oficial das aeronaves, além das providências necessárias para o retorno dos equipamentos ao Brasil.
Também deverá ser apurado de que maneira os aviões chegaram ao complexo boliviano e por quanto tempo permaneceram no local.
Investigações realizadas em Mato Grosso do Sul já trabalhavam havia anos com a possibilidade de as aeronaves estarem entre dezenas de aviões apreendidos no Aeródromo Mondaca. O Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado) chegou a aguardar autorização do governo boliviano para realizar perícias no local. A operação realizada na Bolívia havia resultado na apreensão de 66 aeronaves e na prisão de 38 pessoas.
Roubo ocorreu em 2021
O crime aconteceu na madrugada de 6 de setembro de 2021, quando cerca de 18 homens armados invadiram o aeroporto de Aquidauana e levaram os três aviões praticamente ao mesmo tempo.
As investigações apontaram que a capacidade de carga das aeronaves teria sido um dos fatores considerados pelos criminosos. Desde os primeiros dias após o roubo, a principal suspeita era de que os aviões haviam sido levados para a Bolívia.
Ainda no dia do crime, autoridades brasileiras acionaram a FAB (Força Aérea Brasileira) diante da possibilidade de as aeronaves terem atravessado a fronteira.
A investigação também identificou a participação de bolivianos no esquema e apontou que o responsável pela quadrilha teria acompanhado a ação por meio de uma chamada de vídeo.
Uma das linhas investigativas indicava que os aviões poderiam ser utilizados pelo narcotráfico para o transporte de entorpecentes em rotas clandestinas entre países da América do Sul.
Em outubro de 2023, quatro envolvidos no roubo foram condenados pela Justiça, que também determinou o pagamento de R$ 2,5 milhões às vítimas. Naquele momento, porém, nenhuma das três aeronaves havia sido recuperada.
A localização dos aviões na Bolívia representa o avanço mais significativo desde o roubo para esclarecer o destino das aeronaves e possibilitar a devolução aos proprietários.
