O ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) ampliou a liderança na disputa pelas duas vagas de Mato Grosso do Sul no Senado Federal. Entre março e agosto deste ano, ele avançou 4,84 pontos percentuais na média dos resultados estimulados para o primeiro e o segundo votos, passando de 18,18% para 23,02%.
Os números são da quarta pesquisa de intenção de voto para o Senado realizada pelo Instituto de Pesquisa Resultado (IPR) e encomendada pelo jornal Correio do Estado, entre os dias 19 e 23 de agosto de 2026. Foram entrevistados 784 eleitores de 17 municípios, que concentram 68% da população sul-mato-grossense. O levantamento está registrado sob os números BR-05012/2026 e MS-07621/2026.
A sequência das pesquisas estimuladas, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, aponta crescimento contínuo de Azambuja. Ele tinha média de 18,18% em março, subiu para 20,03% em abril, chegou a 22% em junho e alcançou 23,02% em agosto.
Ao mesmo tempo, aumentou a diferença para Capitão Contar (PL), que ocupa a segunda colocação. Contar tinha 17,16% em março e agora aparece com 17,09%, permanecendo praticamente estável. A distância entre os dois, que era de apenas 1,02 ponto percentual no início da série, passou para 5,93 pontos em agosto.
O deputado federal Vander Loubet (PT) aparece em terceiro lugar, com média de 8,99%. Em março, o petista registrava 6,95%, o que representa avanço de 2,04 pontos percentuais no período. Ele chegou a 9,25% em abril, caiu para 7,84% em junho e voltou a crescer na rodada mais recente.
A senadora Soraya Thronicke (PSB) soma 8,10% na média dos dois votos. Em março, tinha 7,97%, avançou para 8,74% em abril, recuou para 7,40% em junho e voltou a registrar alta em agosto.
Entre os demais concorrentes, Beto do Movimento (PSOL) aparece com 3,06%, Roberto Oshiro (Novo) tem 2,04%, Daniel Junior (Agir) registra 1,66% e Luiz Lemes (DC), 1,40%.
Os votos brancos e nulos somam 9,50% na média, enquanto os indecisos representam 23,60%.
Outro movimento identificado pela série é a redução do grupo de eleitores indecisos ou dispostos a votar em branco ou anular. Em março, esses segmentos somavam 49,74%. Em agosto, passaram a representar 33,10%, queda de 16,64 pontos percentuais.
ESPONTÂNEA
No levantamento espontâneo para o primeiro voto, quando os entrevistados não recebem uma lista de candidatos, Capitão Contar aparece na liderança, com 5,10%. Reinaldo Azambuja tem 2,42%, Soraya Thronicke soma 1,15% e Vander Loubet registra 0,26%.
A principal característica desse cenário, porém, é a indefinição. Dos 784 entrevistados, 675, ou 86,10%, disseram ainda não saber em quem votar. Outros 4,21% afirmaram que votariam em branco ou anulariam.
No segundo voto espontâneo, a incerteza é ainda maior. Os indecisos chegam a 91,33%. Reinaldo Azambuja é o mais lembrado, com 3,57%, seguido por Capitão Contar, com 0,64%, e Vander Loubet, com 0,26%. Brancos e nulos representam 4,21%.
REJEIÇÃO
A pesquisa também avaliou a rejeição dos candidatos ao Senado. Soraya Thronicke aparece com o maior percentual, sendo rejeitada por 13,90% dos entrevistados.
Vander Loubet vem em seguida, com 10,33%, enquanto Capitão Contar registra 8,16% e Reinaldo Azambuja, 4,85%.
Beto do Movimento tem rejeição de 3,44%, Roberto Oshiro, de 1,15%, Luiz Lemes e Valter da Comagran (PRD), de 0,89% cada, Daniel Junior, de 0,77%, e Valderi Garcia (PCO), de 0,38%.
Apesar dos índices individuais, 34,69% dos entrevistados disseram não rejeitar nenhum dos nomes apresentados. Outros 9,06% afirmaram rejeitar todos os candidatos e 7,91% não souberam responder.
Como duas cadeiras estarão em disputa neste ano, cada eleitor poderá escolher dois nomes para o Senado. Dessa forma, a média dos resultados do primeiro e do segundo votos ajuda a dimensionar de maneira mais ampla a força das candidaturas.
A sequência das quatro pesquisas mostra que Azambuja não apenas preservou a primeira colocação, como também conseguiu aumentar a distância para os principais adversários ao longo dos últimos cinco meses.
ANÁLISE
O diretor do Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), Aruaque Fressato Barbosa, avalia que a quarta rodada de intenção de voto coloca Reinaldo Azambuja e Capitão Contar em posições mais favoráveis neste início de campanha eleitoral em Mato Grosso do Sul.
Com duas vagas em disputa, cada eleitor poderá votar em dois candidatos. Por esse motivo, além dos resultados separados para o primeiro e o segundo votos, a média dos dois cenários estimulados oferece uma leitura mais abrangente do desempenho dos concorrentes.
Nesse recorte, Azambuja lidera com cerca de 23%, enquanto Contar aparece com 17,1%. Vander Loubet ocupa a terceira posição, com 9%, e Soraya Thronicke registra 8,1%.
Na sequência aparecem Beto do Movimento, com 3,1%, Roberto Oshiro, com 2%, Daniel Junior, com 1,7%, além de Luiz Lemes e Valter da Comagran, ambos com aproximadamente 1,4%.
A distância entre os dois primeiros colocados também se destaca. Azambuja está 5,9 pontos percentuais à frente de Contar. O segundo colocado, por sua vez, tem vantagem de 8,1 pontos sobre Vander. Entre Vander e Soraya, a diferença é de apenas 0,9 ponto.
No cenário estimulado para o primeiro voto, Azambuja aparece com 27,4%, seguido por Contar, com 21,7%. Vander registra 8,7% e Soraya, 7,7%.
A ordem se mantém no segundo voto. Azambuja soma 18,6%, Contar tem 12,5%, Vander alcança 9,3% e Soraya aparece com 8,5%.
Como os dois candidatos mais votados serão eleitos, os números atuais colocam Azambuja e Contar nas posições correspondentes às vagas disponíveis. Vander e Soraya aparecem em um segundo grupo, buscando diminuir a diferença ao longo da campanha.
Apesar da vantagem dos líderes no levantamento estimulado, os números da pesquisa espontânea revelam que grande parte dos eleitores ainda não consolidou suas escolhas para o Senado.
Sem a apresentação dos nomes, Capitão Contar lidera as citações para o primeiro voto, com 5,1%, seguido por Azambuja, com 2,4%, e Soraya, com 1,1%. Os indecisos representam 86,1%.
Para o segundo voto espontâneo, Azambuja aparece com 3,6%, Contar com 0,6% e Vander com 0,3%. A parcela de indecisos chega a 91,3%.
Na avaliação de Aruaque Fressato Barbosa, esse contingente precisa ser considerado na interpretação dos dados. Embora a distância construída pelos líderes seja relevante neste início de campanha, o elevado número de eleitores sem uma escolha espontânea definida mantém espaço para mudanças até a votação.
REJEIÇÃO PODE PESAR NO SEGUNDO VOTO
Outro indicador acompanhado pelo levantamento é a rejeição. Soraya possui o maior percentual entre os principais concorrentes, com 13,9%.
Vander aparece com 10,3%, seguido por Contar, com 8,2%. Azambuja registra 4,8%, o menor índice entre os quatro primeiros colocados.
Em uma eleição com dois votos para o Senado, a rejeição pode ganhar importância adicional, já que uma candidatura pode avançar mesmo sem ser a primeira preferência do eleitor, tornando-se uma alternativa para a segunda escolha.
Nesse cenário, Azambuja reúne a liderança tanto no primeiro quanto no segundo voto estimulado e apresenta a menor rejeição entre os principais nomes. Contar aparece em segundo lugar nos dois recortes, enquanto Vander e Soraya seguem mais próximos entre si.
O resultado da quarta pesquisa do IPR aponta, portanto, Azambuja e Contar em situação mais favorável na corrida pelas duas vagas de Mato Grosso do Sul no Senado. A elevada taxa de indecisos na pesquisa espontânea, entretanto, indica que a disputa ainda tem espaço para mudanças ao longo da campanha.

