Operação chegou aos 79 municípios, recuperou 212 aparelhos e pode levar usuários de telefones de origem criminosa a responder por receptação
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul intensificou o cerco contra a circulação de celulares furtados e roubados e já conseguiu recuperar 212 aparelhos em diferentes regiões do Estado. A estratégia inclui rastreamento dos telefones e o envio de 1.982 intimações pelo WhatsApp para pessoas relacionadas aos dispositivos identificados.
A ação faz parte da Operação Nacional Última Chamada e alcançou os 79 municípios de Mato Grosso do Sul. O trabalho identificou aparelhos que continuaram apresentando sinais de utilização mesmo depois de terem sido registrados como furtados ou roubados.
Das 1.982 mensagens encaminhadas pela polícia, 1.120 foram visualizadas, o equivalente a aproximadamente 56,5% do total.
Quem recebeu a comunicação oficial deve procurar a delegacia indicada ou a unidade policial mais próxima para esclarecer como adquiriu e por que está utilizando o aparelho.
A Polícia Civil alerta, porém, para a possibilidade de criminosos tentarem aproveitar a operação para aplicar golpes. A instituição não solicita pagamentos, transferências bancárias, senhas ou códigos de segurança pelo WhatsApp. Em caso de dúvida sobre a autenticidade da intimação, a recomendação é procurar diretamente uma delegacia.
75 celulares já voltaram para os donos
Dos 212 aparelhos recuperados, pelo menos 75 já foram devolvidos aos proprietários.
A primeira fase da operação também resultou em 262 oitivas, 89 boletins de ocorrência, 31 Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs) e quatro inquéritos policiais.
Além de localizar usuários dos aparelhos, os investigadores estão de olho no comércio de celulares de procedência irregular. Sete estabelecimentos ou locais relacionados à comercialização de telefones passaram por fiscalização.
O objetivo é reconstruir o caminho percorrido pelos aparelhos desde o furto ou roubo até chegar às mãos dos atuais usuários.
Comprou celular usado? Procedência entra na mira
A operação também serve de alerta para quem compra aparelhos usados sem verificar adequadamente a procedência.
A localização de um telefone furtado ou roubado não significa automaticamente que a pessoa que está com ele participou do crime original. As circunstâncias da aquisição precisam ser investigadas.
No entanto, dependendo das provas e das condições em que o aparelho foi adquirido, o caso poderá resultar em investigação por receptação.
A Polícia Civil continuará analisando as informações obtidas durante as diligências para identificar possíveis receptadores e integrantes de esquemas de comercialização irregular.
Com o cruzamento de registros policiais, identificação dos aparelhos e rastreamento daqueles que voltaram a ser utilizados, a operação pretende atacar não apenas quem furta ou rouba celulares, mas também o mercado que mantém esses aparelhos em circulação.

