O laudo necroscópico da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, concluiu que o disparo que provocou sua morte não foi efetuado com a arma encostada ao corpo nem a curta distância. O documento também registra hematomas em diferentes regiões do corpo da vítima, elementos que reforçaram as suspeitas da família e seguem sendo analisados pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), que investiga o caso como possível feminicídio.
Segundo o exame pericial, não foram encontrados vestígios característicos de disparos à queima-roupa, como fuligem, queimaduras ou partículas de pólvora ao redor da lesão. Apesar dessa conclusão, o laudo não determina quem efetuou o disparo nem aponta se a morte foi resultado de homicídio ou suicídio. A causa do óbito foi registrada como traumatismo cranioencefálico provocado por projétil de arma de fogo.
Além da lesão fatal, os peritos identificaram três hematomas: um na região do tórax, outro na mão direita e um terceiro na parte frontal da coxa direita. O documento não esclarece a origem ou a data em que essas lesões foram provocadas, mas elas passaram a integrar a linha de investigação conduzida pela Polícia Civil.
Familiares afirmam que Fabíola vivia uma rotina marcada por isolamento e dependência financeira. De acordo com o irmão, José Flávio Marcotti, ela havia deixado de exercer a profissão, dizia que não podia sair sozinha e evitava manter contato frequente com parentes por receio do comportamento do marido, o cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos. Meses antes da morte, segundo o relato, ela chegou a pedir ajuda para deixar o relacionamento e recomeçar a vida em São Paulo, mas acabou desistindo da mudança.
A família também relembra episódios em que a fisioterapeuta aparecia com manchas roxas pelo corpo, justificadas na época como acidentes ocorridos na propriedade rural onde vivia. Após a divulgação do laudo, os parentes afirmam que passaram a interpretar esses fatos sob uma nova perspectiva. Eles sustentam que Fabíola enfrentava um relacionamento abusivo e acreditam que ela foi vítima de homicídio.
A investigação teve início após a fisioterapeuta ser encontrada morta na chácara onde morava, em 18 de maio, em Campo Grande. Embora a ocorrência tenha sido registrada inicialmente como um possível suicídio, o avanço das diligências levou a Polícia Civil a identificar inconsistências na dinâmica apresentada, instaurando inquérito para apurar a hipótese de feminicídio. Durante as investigações também foram apontados indícios de fraude processual relacionados ao deslocamento de um armário com armas e munições dentro da propriedade.
João Jazbik Neto chegou a ser preso por posse irregular de arma de fogo e fraude processual, mas posteriormente obteve habeas corpus e responde ao processo em liberdade, mediante medidas cautelares. A defesa do médico reafirma que a hipótese é de suicídio, nega qualquer participação na morte de Fabíola e afirma que todas as acusações serão contestadas durante a instrução processual. O inquérito permanece sob responsabilidade da Deam, que aguarda a conclusão das diligências para definir o desfecho da investigação.
