O empresário Valdir José Zorzo, proprietário do Grupo Dallas, afirmou pela primeira vez que não teve qualquer participação ou conhecimento prévio sobre o transporte de 189,5 quilos de ouro, avaliados em aproximadamente R$ 140 milhões, apreendidos pelas autoridades da Bolívia. Em nota divulgada nesta segunda-feira (27), a empresa informou que o empresário soube do caso apenas pela imprensa, negou que a aeronave tenha sido apreendida e anunciou a abertura de uma apuração interna.
O posicionamento foi divulgado após a repercussão da investigação conduzida pelas autoridades bolivianas, que apuram um suposto esquema internacional de transporte clandestino de ouro. Segundo as investigações, a aeronave partiu de Campo Grande, fez uma escala técnica em Corumbá e foi interceptada no Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra. A suspeita é de que a carga seguiria para São Paulo e, posteriormente, seria enviada para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Na nota, a defesa esclarece que a aeronave de prefixo PS-ZRZ pertence ao empresário e é destinada exclusivamente ao uso particular, sem operar serviços de fretamento comercial. O comunicado também destaca que Valdir Zorzo não estava a bordo no voo investigado e que jamais autorizou qualquer atividade em desacordo com a legislação.
Outro ponto enfatizado pela empresa é que a informação de que o avião teria sido apreendido não corresponde à realidade. Segundo o Grupo Dallas, a aeronave permanece em território brasileiro e não está sujeita a qualquer medida de apreensão.
Ainda conforme a nota, assim que tomou conhecimento da investigação por meio das notícias divulgadas pela imprensa, o empresário determinou a preservação de todos os registros relacionados à aeronave e a realização de uma apuração interna, colocando-se à disposição para colaborar com as autoridades brasileiras e bolivianas.
O Grupo Dallas também reiterou que repudia qualquer prática ilícita e informou que, em razão do sigilo das investigações, somente voltará a se manifestar em momento oportuno.
A investigação
O caso começou na madrugada da última quarta-feira (22), quando agentes da Navegação Aérea e Aeroportos Bolivianos (Naabol) identificaram irregularidades durante uma inspeção por raio-X em quatro malas transportadas na aeronave. Dentro delas foram encontrados 189,5 quilos de ouro, avaliados em cerca de R$ 140 milhões.
Um jovem de 22 anos, identificado como Adrián Lema Roca, apresentou-se como responsável pela carga e teve a prisão preventiva decretada por 150 dias. As autoridades suspeitam que ele atuava como “laranja” da organização criminosa responsável pelo transporte do minério.
A investigação também apura uma divergência de 21,5 quilos entre a primeira pesagem da carga e a realizada posteriormente na Alfândega boliviana, além da utilização de uma autorização aduaneira com QR Code falso. Cinco pessoas chegaram a ser detidas, entre elas três servidores da Alfândega, que foram liberados após prestarem depoimento e continuam sendo investigados.
Outro foco da apuração é a empresa Emporio Dorado Sociedad de Responsabilidad Limitada, registrada em La Paz em nome de dois estudantes e suspeita de funcionar como empresa de fachada para exportação ilegal de ouro destinado à empresa Asian Gold LCC, sediada em Dubai.
Até o momento, não há acusação formal contra Valdir José Zorzo ou contra o Grupo Dallas. As autoridades bolivianas seguem investigando a origem do ouro, quem contratou o transporte e a eventual participação de outras pessoas no esquema internacional.
