A Justiça converteu em prisão preventiva a detenção de mais três investigados na Operação Gutenberg, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) para desarticular um esquema de fraudes em contratos públicos de livros paradidáticos e suposta venda de influência na área da saúde. As decisões foram tomadas durante audiências de custódia realizadas nesta quinta-feira (9).
Entre os presos está o ex-prefeito de Fátima do Sul, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido como Júnior Vasconcelos, que exercia o cargo de escrivão da Polícia Civil. Além da prisão mantida, ele foi afastado compulsoriamente da função pública exercida na Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).
Também tiveram a prisão preventiva decretada Jéssica Burgatt, filha do ex-coordenador estadual de Regulação Assistencial (Core) da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Ed Carlo Britto Burgatt, e a empresária Rossana Jafar, apontada como responsável pela Gráfica Alvorada após a morte de Mirched Jafar Júnior, em 2021, em decorrência de complicações da Covid-19.
Com as decisões desta quinta-feira, permanecem presos todos os investigados que já passaram por audiência de custódia. Além dos três, continuam detidos Ed Carlo Britto Burgatt, Olívia Jafar, Felipe Paroschi Jafar, Joatan Gomes Peixoto, Matheus Oliveira Peixoto, Francisco Anizio dos Santos, Paulo Rogério de Melo, Douglas Henrique de Melo e Gabriel Taquino de Paula.
Operação Gutenberg
Deflagrada na última terça-feira (8), a Operação Gutenberg cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, além das cidades de São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a organização criminosa teria movimentado cerca de R$ 27 milhões por meio de contratos direcionados para a compra de livros paradidáticos sem licitação.
As investigações apontam que empresários e agentes públicos fraudavam procedimentos de contratação direta, direcionando compras públicas em benefício do grupo. Em troca, os valores recebidos eram distribuídos entre servidores e particulares, com uso de pessoas físicas e jurídicas para ocultar a origem dos recursos.
O MPMS também afirma ter identificado um braço do esquema dentro da saúde pública estadual. Conforme a investigação, servidores influenciavam a liberação de exames, cirurgias e vagas em hospitais da rede pública, condicionando o atendimento à aquisição dos livros comercializados pelo grupo investigado.
Os investigados poderão responder por organização criminosa, fraude em licitações, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros crimes contra a administração pública.
