A família Jafar, conhecida por sua atuação no setor editorial em Mato Grosso do Sul, voltou a ser alvo de investigações do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) cerca de dez anos após ter figurado entre os investigados da Operação Lama Asfáltica.
Na Operação Gutenberg, deflagrada nesta semana pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), são investigados a cirurgiã-dentista Rossana Paroschi Jafar e seus filhos, a médica e empresária Olívia Paroschi Jafar e o empresário Felipe Paroschi Jafar.
Os três integram a família proprietária da Editora Alvorada, antiga Gráfica Alvorada, empresa que já havia sido investigada em razão de contratos para fornecimento de livros ao poder público.
O empresário Mirched Jafar Junior, considerado pelas investigações da Operação Lama Asfáltica como o principal responsável pelos contratos analisados à época, morreu em março de 2021, aos 63 anos, em decorrência de complicações da Covid-19.
Suspeita de esquema milionário
A nova investigação apura um suposto esquema criminoso que teria causado prejuízo estimado em R$ 27 milhões aos cofres públicos por meio de fraudes em contratações envolvendo a área da Saúde e a aquisição de livros paradidáticos em Campo Grande.
Durante a Operação Gutenberg, foram cumpridos 16 mandados de prisão e 43 mandados de busca e apreensão em municípios de Mato Grosso do Sul, além de ações em São Paulo e Goiás.
De acordo com o MPMS, empresários teriam estruturado um esquema para influenciar servidores públicos e direcionar compras sem licitação, principalmente de livros paradidáticos. Ainda segundo a investigação, os recursos obtidos de forma ilícita eram distribuídos entre diversas contas e empresas para dificultar o rastreamento financeiro.
O nome da operação faz referência a Johannes Gutenberg, inventor da imprensa de tipos móveis. Segundo o Ministério Público, a escolha simboliza o uso de livros, tradicionalmente associados à educação e ao conhecimento, para dar aparência de legalidade às fraudes investigadas.
Histórico na Operação Lama Asfáltica
O mesmo núcleo familiar já havia sido investigado durante a quarta fase da Operação Lama Asfáltica, denominada Máquinas de Lama, que apurou contratos firmados entre 2012 e 2014 para aquisição de livros didáticos pelo Governo de Mato Grosso do Sul.
Na ocasião, Mirched Jafar Junior foi apontado como responsável por um esquema que teria desviado aproximadamente R$ 13 milhões em contratos que somavam R$ 29 milhões.
As investigações conduzidas pela Polícia Federal, pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pela Receita Federal identificaram indícios de irregularidades nas contratações, incluindo a rapidez considerada incomum na formalização dos contratos.
Em decisões judiciais da época, foi destacado que as circunstâncias da contratação indicavam que o objetivo das compras poderia ser o desvio de recursos públicos e o pagamento de vantagens indevidas.
Durante as apurações, o então delegado regional de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, Cléo Mazzotti, afirmou que os livros adquiridos não chegaram a ser utilizados pelo poder público, reforçando as suspeitas sobre a finalidade das contratações investigadas.
