O narcotraficante Gerson Palermo negou, durante audiência realizada nesta quinta-feira (28) na 3ª Vara Criminal de Campo Grande, as acusações de extorsão mediante sequestro da própria filha. Segundo a defesa, ele afirmou que o crime teria sido planejado em conjunto com a jovem para tentar recuperar US$ 100 mil desaparecidos de um esconderijo da família.
Além de Palermo, também responde ao processo Reinaldo Silva de Farias, denunciado pelo Ministério Público sob acusação de ter participado do crime a mando do suposto líder do PCC (Primeiro Comando da Capital). Reinaldo está em prisão domiciliar e prestou depoimento presencialmente.
De acordo com a advogada Hérika Ratto, responsável pela defesa de Reinaldo, os dois acusados negaram a prática de extorsão mediante sequestro e sustentaram a versão de que o caso foi simulado.
“Ambos os acusados negaram as acusações de extorsão mediante sequestro. Eles disseram que tudo foi arquitetado entre o Palermo e a filha. Eles simularam o sequestro para que pudessem reaver o dinheiro, que ele acredita estar com o avô dela”, afirmou a advogada.
A audiência começou às 13h40 e terminou por volta das 16h30. Também foram ouvidas duas testemunhas de acusação, entre elas a mãe da vítima. A defesa apresentou a esposa de Reinaldo como testemunha.
Segundo a advogada, ainda falta o depoimento do sogro de Palermo, apontado pelo narcotraficante como responsável pelo desaparecimento do dinheiro. Com isso, uma terceira audiência deverá ser marcada. Esta foi a segunda audiência de instrução e julgamento do caso. A primeira ocorreu em 17 de março.
Palermo foi preso na Bolívia na terça-feira (26), após permanecer foragido desde 2020. Ele vivia em uma propriedade próxima à cidade de Cotoca, nas imediações de Santa Cruz de la Sierra, onde se apresentava como empresário do agronegócio.
Extraditado para o Brasil na quarta-feira (27), ele chegou a Campo Grande no fim da tarde e, após audiência de custódia realizada nesta quinta-feira, foi encaminhado ao Presídio Federal da Capital.
Apontado como liderança do PCC, Palermo já foi condenado a 126 anos de prisão e também responde pelo suposto sequestro da filha.
O caso ocorreu em outubro de 2025. A jovem foi resgatada por policiais civis do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros) em um cativeiro no bairro Moreninhas, onde teria sido torturada.
As investigações apontam que a motivação do crime estaria relacionada ao desaparecimento de US$ 100 mil entregues por Palermo ao ex-sogro anos antes. O dinheiro teria sido escondido dentro de um cano de PVC enterrado em um imóvel da família, mas desapareceu quando o local foi reaberto.
Segundo a investigação, após descobrir o sumiço da quantia, Palermo teria ordenado o sequestro da própria filha para pressionar familiares a devolver o valor.

