Novos relatos de pessoas próximas à fisioterapeuta Fabiola Marcotti, de 51 anos, reforçam as suspeitas em torno da morte dela, ocorrida na última segunda-feira (18), em uma residência no bairro Chácara dos Poderes, em Campo Grande. O companheiro da vítima, o médico cardiologista João Jazbik Neto, segue preso.
Fabiola foi encontrada morta com um disparo na cabeça. O caso inicialmente foi registrado como suicídio, mas passou a ser investigado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), após inconsistências apontadas pela polícia e pela perícia.
Além do cardiologista, um ex-funcionário e um caseiro foram presos em flagrante por fraude processual. Conforme as investigações, antes da chegada da polícia, o médico teria solicitado que os dois homens retirassem um armário com diversas armas do quarto e o levassem para outro cômodo da casa. João Jazbik também foi autuado por posse irregular de arma de fogo.
Amigas da fisioterapeuta afirmam que ela vivia um relacionamento marcado por controle excessivo e ciúmes. Segundo relatos, o comportamento do médico teria provocado mudanças significativas na rotina e no estilo de vida de Fabiola ao longo dos anos.
Pessoas próximas relataram que ela deixou de trabalhar fora de casa e passou a realizar apenas atendimentos domiciliares. Como tinha epilepsia e não dirigia, dependia de terceiros para se locomover. Ainda segundo os depoimentos, o médico controlava até situações consideradas simples do cotidiano.
Uma das amigas afirmou que João Jazbik não permitia que Fabiola frequentasse salão de beleza sozinha e que ele próprio realizava procedimentos como depilação. Também acompanhava a companheira em idas à manicure e controlava roupas, deslocamentos e até a medicação utilizada por ela.
Outros relatos apontam que o médico costumava demonstrar comportamento possessivo em encontros familiares e sociais. Segundo testemunhas, ele permanecia distante das conversas e fazia questão de reforçar que possuía armas de fogo.
Uma pessoa próxima à vítima afirmou ainda que Fabiola era impedida até de conversar com funcionários da residência. Conforme o relato, o caseiro precisava permanecer afastado enquanto ela utilizava áreas comuns da casa.
Familiares e amigos contestam a hipótese de suicídio e dizem acreditar em feminicídio. Pessoas próximas garantem que Fabiola não apresentava sinais de depressão e que havia comentado recentemente sobre a possibilidade de separação.
De acordo com a ocorrência policial, o médico relatou que a esposa havia realizado atividades normais pela manhã e depois subido ao quarto do casal. Segundo ele, após estranhar a demora da companheira, tentou contato sem sucesso. Pouco depois, afirmou ter ouvido um disparo e encontrado Fabiola caída no quarto.
A versão apresentada pelo cardiologista, porém, é considerada incompatível com os elementos observados pela investigação, especialmente em relação ao ferimento encontrado na vítima.
O delegado Leandro Santiago, responsável pelo caso na Deam, informou que a apuração segue em andamento para esclarecer as circunstâncias da morte.
