Mesmo diante das constantes reclamações de consumidores sobre falhas no fornecimento de energia elétrica em Mato Grosso do Sul, a Energisa teve o contrato de concessão renovado pelo governo federal e continuará operando no Estado até 2057, caso não haja nova revisão contratual no futuro.
A renovação faz parte de um pacote da União que prorrogou contratos de distribuição de energia em 13 estados brasileiros. A única exceção foi a Enel, responsável pelo fornecimento em São Paulo, que ficou fora da nova rodada de concessões.
Conta de luz mais cara
A permanência da concessionária ocorre logo após a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizar reajuste de 12,11% na tarifa da Energisa MS. O aumento atinge cerca de 1,15 milhão de consumidores distribuídos em 74 municípios sul-mato-grossenses.
O percentual concedido ficou muito acima da inflação acumulada em 2025, de 4,26%, conforme o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE.
Lucro elevado e críticas recorrentes
Com o novo reajuste tarifário, a tendência é de crescimento ainda maior no faturamento da distribuidora, que já registra resultados milionários nos últimos anos. Em 2025, a empresa teve faturamento líquido de R$ 407 milhões.
Enquanto isso, consumidores seguem relatando interrupções frequentes no fornecimento, demora no restabelecimento da energia e dificuldades no atendimento.
Novas exigências para distribuidoras
Os contratos renovados passam a seguir as regras do Decreto Federal 12.068/2024, que criou critérios mais rígidos para as distribuidoras de energia elétrica no país.
Os antigos contratos, assinados no fim da década de 1990, eram considerados pouco rigorosos em relação à qualidade do serviço prestado. Agora, as concessionárias terão de cumprir 17 diretrizes estabelecidas pelo governo federal.
Entre as novas exigências estão a inclusão da satisfação do consumidor como indicador de desempenho, metas de melhoria contínua no fornecimento e prazos mais rigorosos para recomposição do serviço após eventos climáticos extremos.
Segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a avaliação da qualidade deixará de considerar apenas áreas amplas de concessão e passará a analisar também o desempenho por bairros, buscando reduzir desigualdades no atendimento.
Ranking mostra queda no desempenho
Apesar das novas regras, os indicadores recentes mostram piora gradual na qualidade dos serviços prestados pela Energisa em Mato Grosso do Sul.
Dados do ranking de Desempenho Global de Continuidade (DGC), elaborado pela Aneel, apontam queda consecutiva da concessionária entre 2021 e 2025 na comparação com outras 36 distribuidoras de grande porte do país.
Em 2021, a empresa figurava entre as dez melhores colocadas. Já em 2025, caiu para a 22ª posição. Apenas entre 2024 e 2025, a concessionária perdeu sete posições no ranking.
O índice DGC mede a frequência e a duração das interrupções no fornecimento de energia elétrica. Quanto menor o indicador, melhor a qualidade do serviço. No caso da Energisa MS, o índice passou de 0,74 em 2021 para 0,80 em 2025, apontando deterioração no desempenho.
Consumidor paga a conta
A piora nos indicadores também gera impacto financeiro direto aos consumidores, já que falhas no fornecimento obrigam o pagamento de compensações nas contas de energia devido às interrupções registradas no sistema elétrico.
