A conta de luz dos 1,15 milhão de consumidores atendidos pela Energisa MS, em 74 municípios de Mato Grosso do Sul, pode ter reajuste médio de 12,61% em 2026. O índice é quase dez vezes maior que o aplicado no ano passado e chega a ser até seis vezes superior à inflação registrada em Campo Grande.
A proposta foi elaborada pela área técnica da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Em 2025, o aumento médio foi de 1,33%, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses até fevereiro deste ano ficou em 2,13%.
Os porcentuais variam conforme o tipo de consumidor. Para a baixa tensão, que inclui residências, o reajuste sugerido é de 12,49%. Já para a alta tensão, aplicada principalmente a indústrias, o aumento pode chegar a 12,88%.
A decisão final será tomada pela diretoria colegiada da Aneel na próxima terça-feira, às 9h, durante análise do relatório da diretora Agnes Maria de Aragão da Costa. Caso seja aprovado, o novo valor entra em vigor no dia seguinte.
Os índices ainda podem sofrer alterações até a votação. No ano passado, por exemplo, o reajuste médio aprovado foi de 1,33%, com variações de 0,69% para baixa tensão e 3,09% para alta tensão.
Custos e inflação
Segundo a Aneel, os principais fatores que impactaram o reajuste anterior foram os custos com distribuição de energia e encargos setoriais. No entanto, não há detalhamento, até o momento, sobre as razões para a alta mais expressiva proposta neste ano.
Em relação à inflação, o aumento previsto supera com folga os índices recentes. O IPCA acumulado em 12 meses até fevereiro foi de 2,13% em Campo Grande. Já o IPCA-15, prévia da inflação, aponta alta de 3,9% no período entre março de 2025 e março de 2026.
Outros estados
Reajustes elevados também foram registrados em outras regiões do país. Em março, a Aneel aprovou aumento médio de 14,07% para a Enel Distribuição Rio. Para consumidores de alta tensão, a alta chegou a 19,84%, enquanto para baixa tensão ficou em 14,23%.
Já a Light Serviços de Eletricidade teve reajuste médio de 8,59%, sendo 13,46% para alta tensão e 6,56% para baixa tensão.
Tipos de reajuste
A Aneel realiza dois tipos principais de atualização nas tarifas: o reajuste tarifário anual (RTA) e a revisão tarifária periódica (RTP).
A revisão é mais abrangente e define custos de distribuição, metas de qualidade e perdas, além do fator X. Já o reajuste anual ocorre nos anos em que não há revisão, com base na inflação prevista em contrato, descontado esse mesmo fator.
Em ambos os casos, entram no cálculo custos como compra e transmissão de energia, além de encargos que financiam políticas públicas do setor.
