Quase quatro meses após a entrada em vigor das novas regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), 2026 ainda não registrou aumento expressivo no número de documentos emitidos em Mato Grosso do Sul. Apesar da redução nos custos e das mudanças no processo, o volume segue inferior ao observado no mesmo período de anos anteriores.
Dados do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS) apontam que, até a manhã desta sexta-feira (20), foram emitidas 34.424 CNHs no Estado em 2026 — média aproximada de 675 novos documentos por dia.
A maior parte das emissões concentra-se entre jovens de 18 a 25 anos, que representam 22,89% do total. Em seguida aparecem as faixas de 26 a 31 anos (15,71%) e de 32 a 37 anos (13,95%). Entre as categorias mais procuradas estão AB (carro e moto), com 49,15%; B (somente carro), com 33,73%; e A (somente moto), com 5,89%.
Mesmo com os números considerados positivos, o desempenho ainda fica atrás dos anos anteriores. Em 2025, foram registradas 46.013 emissões no mesmo intervalo. Já em 2024 e 2023 os totais chegaram a 41.477 e 38.286, respectivamente. Como fevereiro ainda não terminou, há possibilidade de crescimento, mas, mantida a média diária atual, 2026 superaria apenas o resultado de 2023.
Atualmente, Mato Grosso do Sul possui 1.349.308 condutores habilitados, o equivalente a 48,94% da população estadual. Segundo o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Estado tem 2.757.013 habitantes.
A reformulação nas regras foi justificada pelo Governo Federal como estratégia para reduzir o número de motoristas irregulares no país. Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) indicam que cerca de 20 milhões de brasileiros dirigem sem habilitação. Em Campo Grande, a estimativa é de que 40% dos motociclistas não possuam o documento.
Somente neste ano, cerca de 2 mil sul-mato-grossenses já foram autuados por conduzir veículos sem CNH ou autorização válida. Em 2025, o total de infrações dessa natureza chegou a 16.435.
Conforme o artigo 162 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), dirigir sem CNH, Permissão para Dirigir (PPD) ou Autorização para Conduzir Ciclomotor (ACC) é infração gravíssima, com retenção do veículo até a apresentação de condutor habilitado, além de multa.
Mudanças na CNH
No último dia 9, o governo federal oficializou alterações no processo de habilitação após aprovação unânime do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Entre as principais mudanças está o fim da obrigatoriedade de aulas em autoescola para realização do exame prático, além da promessa de redução de até 80% no custo total da habilitação.
Desde 23 de janeiro, o Exame de Aptidão Física e Mental passou a custar R$ 75, enquanto a Avaliação Psicológica foi fixada em R$ 105, totalizando R$ 180 — valor bem inferior ao praticado anteriormente no Estado.
A adequação atende à Portaria nº 927/2025 da Senatran, que estabeleceu o teto nacional de R$ 180 para a cobrança conjunta dos exames médico e psicológico. Antes da mudança, o valor somado em Mato Grosso do Sul era de R$ 331,22.
O novo modelo prevê curso teórico gratuito em formato digital, flexibilização das aulas práticas e possibilidade de instrutores credenciados pelos Detrans. A abertura do processo pode ser feita pelo site do Ministério dos Transportes ou pelo aplicativo CNH do Brasil, antigo Carteira Digital de Trânsito (CDT).
Na prática, o candidato pode estudar por conta própria e agendar exames sem necessidade de matrícula em autoescola, embora ainda possa optar pelas aulas presenciais. Em Mato Grosso do Sul, no entanto, as aulas seguem sendo realizadas em autoescolas, já que os instrutores cadastrados continuam vinculados às empresas do setor.
Novas regras no exame prático
O Detran-MS também alterou recentemente as regras do exame prático para obtenção da PPD e da CNH, incluindo o programa CNH do Brasil.
Entre as mudanças está o aumento do limite de pontos que podem ser perdidos durante a prova. Antes, o candidato poderia acumular até três pontos, com faltas classificadas como leves (1 ponto), médias (2 pontos) e graves (3 pontos).
Agora, o limite passou para 10 pontos, com pontuação alinhada às infrações previstas no CTB: leve (1 ponto), média (2 pontos), grave (4 pontos) e gravíssima (6 pontos).
Outra alteração relevante é a retirada da etapa de baliza, que deixa de ser realizada isoladamente e passa a integrar o percurso sob avaliação do examinador. O exame continua exigindo veículos com comando duplo.
Para veículos de quatro rodas, o percurso terá duração mínima de 10 minutos e deverá incluir, ao menos: seis conversões à esquerda, seis à direita, três estacionamentos laterais, trajeto em linha reta de no mínimo um quilômetro para avaliação de marchas e velocidade regulamentada, além de dois retornos quando as condições permitirem.
O candidato será aprovado se a pontuação final não ultrapassar 10 pontos.
No caso das motos, o obstáculo conhecido como “prancha” deixa de fazer parte da avaliação. Permanecem obrigatórias as manobras sem invasão de linhas, sem colisão com cones, sem apoio dos pés no chão e sem desequilíbrios que provoquem queda do condutor ou do veículo.

