Quase dois anos após o acidente que resultou na morte do motoentregador Hudson de Oliveira Ferreira, a viúva da vítima, Kelly Patricia Ferreira Coelho, voltou a relatar o impacto emocional causado pelo processo judicial. Durante audiência de instrução realizada nesta semana, ela afirmou que reviver os detalhes da tragédia é uma experiência dolorosa e que as lembranças do ocorrido continuam presentes em sua rotina.
Segundo Kelly, responder novamente aos questionamentos sobre o caso faz com que ela retorne mentalmente ao dia do acidente. Ela contou que, durante o depoimento, as imagens do marido caído na via voltaram à sua memória, tornando o momento ainda mais difícil. A viúva destacou que as perguntas repetem temas já abordados durante a investigação policial, mas que cada nova audiência reacende o sofrimento da família.
Ela também mencionou o desconforto de estar frente a frente com o empresário Arthur Torres Rodrigues Navarro, acusado de conduzir o Porsche envolvido na colisão. Para Kelly, é difícil lidar com a situação ao ver o réu respondendo ao processo em liberdade, enquanto seu marido perdeu a vida quando trabalhava em uma entrega.
A defesa de Arthur Navarro, representada pelo advogado Lucas Rosa, sustenta que o empresário é inocente e argumenta que a velocidade do veículo não teria sido determinante para o resultado do acidente. Segundo a tese apresentada, a colisão ocorreria independentemente da velocidade registrada, não havendo responsabilidade direta do condutor pela morte da vítima.
Outro ponto levantado pela defesa é que o óbito não teria sido causado exclusivamente pelo impacto da batida, mas por circunstâncias relacionadas ao atendimento prestado após o acidente. Para embasar essa versão, foram anexados ao processo pareceres elaborados por peritos contratados de forma particular.
Já a assistência de acusação, conduzida pela advogada Janice Andrade, contesta os argumentos e afirma que os laudos produzidos por peritos oficiais apontam de forma conclusiva que a velocidade incompatível do veículo foi fator determinante para a morte do motoentregador.
De acordo com a acusação, o Porsche trafegava a cerca de 89 km/h em um trecho da Rua Antônio Maria Coelho onde o limite permitido era de 40 km/h. A defesa da família também sustenta que o motorista deixou o local sem prestar socorro imediato e que o automóvel foi encaminhado para reparos em uma oficina particular, sem acionamento do seguro.
O processo, que reúne aproximadamente três mil páginas, terá continuidade em nova audiência marcada para o dia 3 de julho. Na ocasião, deverá ser ouvida mais uma testemunha, além do interrogatório do acusado.
