Adolescente de 17 anos ficou gravemente ferido; parlamentar também é investigado por ameaça e desacato
O vereador de Ponta Porã Dionaldo Morinigo (PDT), de 49 anos, continuará preso preventivamente após se envolver em um acidente que deixou um adolescente de 17 anos gravemente ferido. Segundo a investigação, o parlamentar teria fugido sem prestar socorro e tentado subornar um policial civil que o abordou.
Dionaldo também é subtenente do Corpo de Bombeiros. A prisão foi mantida pela Justiça após audiência de custódia realizada neste domingo (20).
O acidente ocorreu na noite de sexta-feira (18), em Ponta Porã. Conforme os autos, o vereador conduzia uma Toyota Hilux quando passou em alta velocidade por uma lombada e atingiu uma Volkswagen Saveiro dirigida pelo adolescente. A vítima ficou desacordada e foi encaminhada ao Hospital Regional em estado grave.
Após a colisão, Dionaldo teria deixado o local sem prestar socorro. Um escrivão da Polícia Civil que presenciou a ocorrência seguiu a caminhonete por aproximadamente dois quilômetros até conseguir abordá-la.
Segundo o relato do policial registrado no processo, o vereador se apresentou como bombeiro e agente político e teria perguntado se havia possibilidade de “resolver” a situação sem acionar os órgãos policiais. A conduta passou a ser investigada como possível corrupção ativa.
O parlamentar ainda é acusado de ameaçar e desacatar o escrivão durante a abordagem.
Sinais de embriaguez
Dionaldo se recusou a fazer o teste do bafômetro. Conforme os registros policiais, foram constatados sinais como hálito etílico, agressividade e exaltação, além da presença de latas de cerveja na caminhonete.
O vereador é investigado por crimes que incluem lesão corporal no trânsito, corrupção ativa, ameaça e desacato, além das circunstâncias relacionadas à saída do local do acidente sem prestar socorro.
O Ministério Público pediu a manutenção da prisão preventiva, e a Justiça considerou que medidas cautelares menos severas não seriam suficientes diante das circunstâncias relatadas no processo.
A Justiça também determinou a suspensão do porte de arma do parlamentar e manteve apreendida uma pistola Sig Sauer calibre 9 mm. O Corpo de Bombeiros foi comunicado para avaliar eventuais providências administrativas.
Durante a audiência de custódia, Dionaldo afirmou ter sofrido violência durante a prisão. O relato deverá ser apurado pelos órgãos responsáveis pelo controle externo da atividade policial.
Defesa contesta acusações
A defesa do vereador nega que exista prova de consumo de bebida alcoólica ou de tentativa de suborno. O advogado Marcos Ivan afirmou que pretende buscar a revogação da prisão preventiva ou a aplicação de medidas cautelares alternativas.
O PDT informou que lamenta o episódio, defende o respeito ao devido processo legal e afirmou que acompanhará a investigação e os desdobramentos do caso.
