Uma suposta concorrência entre três empresas para a produção de 500 revistas comemorativas pelos 69 anos de Terenos acabou despertando a atenção do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e da Promotoria do município. O ponto de partida da investigação foram e-mails enviados em sequência — às 18h15, 18h16 e 18h17 — com propostas que, em tese, seriam de concorrentes distintos.
A contratação foi realizada em 2022 por meio de dispensa de licitação. Apesar de a prefeitura ter recebido três orçamentos, o Gaeco destacou que, além do curto intervalo entre os envios, todas as mensagens traziam o mesmo título — “Solicitação de cotação-assinatura anual de revistas” —, expressão que não correspondia ao objeto do contrato.
Segundo o relatório da operação, os textos dos e-mails apresentavam redação praticamente idêntica, com construções semelhantes e uso repetido de múltiplos pontos de exclamação. Para o Gaeco, esse paralelismo reforça a suspeita de autoria comum ou de atuação coordenada entre os remetentes.
As empresas envolvidas seriam Impacto Jornalismo Ltda, Tops do MS News e Política do MS News. A vencedora do procedimento foi a Impacto, com orçamento de R$ 38.800. O contrato foi firmado durante a gestão do então prefeito Henrique Budke, que posteriormente se afastou do cargo após ser alvo de operação em 2025.
Ainda conforme a investigação, embora formalmente distintas, as empresas integrariam o mesmo núcleo empresarial, compartilhando estrutura, recursos materiais, identidade visual e profissionais da área de jornalismo. Mensagens obtidas pelos investigadores mostram que propostas de diferentes empresas teriam sido concentradas em um mesmo interlocutor, reforçando a suspeita de conluio para fraudar o procedimento de contratação.
No caso da empresa Política MS News, registrada como FCVN Comunicações Ltda, os dados analisados indicaram forte vínculo com Francisco das Chagas Veras Nascimento, apontado como possível controlador de fato do negócio, apesar de não figurar oficialmente no quadro societário no período investigado. Movimentações financeiras entre os envolvidos, que somam mais de R$ 130 mil em poucos meses de 2022, também foram citadas como indício de ligação econômica entre as empresas.
Com base nos elementos reunidos, o juiz Robson Celeste Candeloro decretou as prisões preventivas de seis investigados, apontados como integrantes do suposto esquema. A defesa de Eudmar Rogers Nolasco de Faria sustenta a inocência do acusado e pediu a revogação da prisão ou a concessão de domiciliar, alegando problemas renais e necessidade de hemodiálise. O Ministério Público manifestou-se favorável à prisão domiciliar.
O atual prefeito de Terenos, Arlindo Landolfi Filho (Republicanos), afirmou que assumiu o cargo apenas em setembro de 2025, após a contratação investigada. Segundo ele, o município não mantém contratos vigentes com as empresas citadas e os fatos apurados se referem a período anterior à sua gestão. O prefeito declarou ainda estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
