
A pesca esportiva se consolida como uma das atividades de maior potencial econômico do turismo de Mato Grosso do Sul. Com gastos médios de R$ 6,6 mil por viagem, os visitantes que escolhem os rios do Pantanal, especialmente na região de Corumbá, movimentam uma extensa cadeia de negócios que inclui barcos-hotéis, restaurantes, transporte, comércio e serviços especializados.
O setor também vive uma transformação no perfil dos visitantes. Tradicionalmente dominada pelos homens, a pesca esportiva registra um avanço expressivo da participação feminina, que cresceu 140% entre 2022 e 2026, impulsionada por eventos específicos e iniciativas de valorização das mulheres na modalidade.
Segundo dados apresentados pelo Observatório do Turismo de Mato Grosso do Sul, o fluxo turístico estadual aumentou 68% em cinco anos. No mesmo período, Bonito, principal destino turístico do Estado em volume de visitantes, registrou expansão de 30%.
O turismo representa aproximadamente R$ 4 bilhões em movimentação econômica, equivalentes a cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, conforme os números divulgados pelo setor.
Turista da pesca gasta mais que visitante de Bonito
Um dos principais diferenciais econômicos da pesca esportiva está no poder de consumo dos visitantes.
Enquanto o turista que visita Bonito desembolsa, em média, R$ 4,6 mil por viagem, com gasto diário de aproximadamente R$ 931, quem procura o Pantanal para pescar deixa cerca de R$ 6,6 mil na economia regional, o equivalente a R$ 1.320 por dia.
Pesca esportiva
R$ 6,6 mil
Gasto médio por viagem
Turismo em Bonito
R$ 4,6 mil
Gasto médio por viagem
A diferença chega a aproximadamente 43% no desembolso total por viagem, reforçando a importância da pesca esportiva como atividade geradora de receita para Corumbá e os municípios da região pantaneira.
Mulheres ganham espaço e impulsionam novo mercado
Apesar do crescimento feminino, os homens ainda representam aproximadamente 79% do público da pesca esportiva.
Para ampliar essa participação, empresários e operadores turísticos têm investido em experiências voltadas especificamente às mulheres.
Um dos principais exemplos é o projeto Anzol Rosa, iniciativa criada em Mato Grosso do Sul que ganhou repercussão nacional e internacional.
A edição de 2026 está prevista para ocorrer entre o fim de outubro e o início de novembro, com expectativa de movimentar 1,2 mil turistas do Brasil, da Bolívia e do Paraguai, além de dezenas de embarcações utilizadas na hospedagem e no transporte dos participantes.
A expansão de 140% no público feminino desde 2022 revela uma mudança importante em um mercado historicamente associado aos homens.
Corumbá concentra uma das maiores estruturas de pesca do continente
As viagens partem do município e percorrem o Rio Paraguai em diferentes direções, incluindo a região da Serra do Amolar, na divisa com Mato Grosso, e Forte Coimbra, local histórico relacionado à Guerra do Paraguai.
Para a empresária Joice Carla Santana Marques, proprietária da Joice Tur, a atividade representa muito mais do que a captura e soltura de peixes.
“Quem vem pescar no Pantanal não vai só para o rio. Ele se hospeda, consome nossa gastronomia, contrata piloteiro, compra equipamento, conhece a cidade e volta. A pesca esportiva é a porta de entrada de uma cadeia inteira do turismo em Mato Grosso do Sul, e cada temporada sustenta desde famílias ribeirinhas até diferentes empresas”, destaca.
Setor investe em divulgação e qualificação profissional
O fortalecimento da pesca esportiva também passa pela divulgação do Pantanal em feiras e eventos nacionais.
Em março, representantes de Mato Grosso do Sul participaram de uma das principais feiras brasileiras do segmento. O destino também ganhou espaço no 4º Fórum Nacional do Turismo da Pesca, que discutiu estratégias para atrair pescadores estrangeiros.
O diretor-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur-MS), Bruno Wendling, destaca a necessidade de manter a presença do Estado nesses encontros.
“É importante sempre estarmos presentes para manter nosso posicionamento de um dos líderes na pesca esportiva no País. É um espaço para o trade sul-mato-grossense negociar e apresentar novidades do segmento”, afirmou.
Em novembro, o Senac-MS, a Associação Corumbaense das Empresas Regionais de Turismo (Acert) e a Prefeitura de Corumbá, por meio da Fundação de Turismo do Pantanal, promovem capacitações na área de gastronomia.
A proposta é qualificar o atendimento aos visitantes e melhorar os serviços oferecidos pelas embarcações e empresas turísticas da região.
Experiência no Pantanal conquista visitantes
Além da pesca, o contato com a natureza e a convivência entre grupos de amigas e famílias têm se tornado atrativos importantes.
A psicopedagoga Lilia Maria Gouveia Bezerra relata que encontrou um ambiente diferente daquele que imaginava.
“A história da pesca sempre foi uma coisa meio de homem, mas quando fui para o Rio Paraguai, eu acabei vendo muita mulher, além de famílias. É uma experiência marcante”, contou.
Para a pedagoga Delari Maria Bottega, o diferencial está na combinação de lazer, descanso e paisagens naturais.
“É uma experiência incrível porque a gente tira um tempo que é só para gente, em meio à natureza, com cenários lindos”, afirmou.
Mais de 54 mil licenças de pesca foram emitidas em MS
A movimentação econômica também alcança a arrecadação pública.
Em Mato Grosso do Sul, a pesca amadora e esportiva exige licença emitida pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), por meio do sistema Siriema.
Conforme os dados apresentados na reportagem original, mais de 54 mil licenças foram emitidas em 2025, com concentração significativa da demanda no Pantanal de Corumbá.
O Ministério do Turismo estima que aproximadamente 8 milhões de brasileiros pratiquem pesca esportiva, atividade associada à geração direta e indireta de cerca de 200 mil empregos no País.
Com o crescimento do público feminino, a diversificação dos serviços e o fortalecimento da infraestrutura turística, Corumbá busca ampliar sua participação nesse mercado, transformando a pesca esportiva em fonte de renda para empresários, trabalhadores e comunidades ribeirinhas.

