Com sede em Campo Grande (MS) e dona de uma dívida de R$ 563,5 milhões com o fisco federal, a formuladora de combustíveis Copape foi apontada pela Operação Carbono Oculto como o principal elo com o PCC (Primeiro Comando da Capital), empresários e fintechs (empresas de tecnologia do setor financeiro).
De acordo com o Correio do Estado, a empresa passou a ser investigada após concorrer com gigantes do setor, como Vibra (Postos Petrobras) e Ultrapar (Ipiranga). Em Mato Grosso do Sul, os mandados de busca e apreensão da operação foram cumpridos nas cidades de Iguatemi (7 alvos) e Dourados (1 alvo).
Conforme a Receita Federal, os oito alvos no Estado são empresas do núcleo operacional da cadeia de combustíveis envolvidas no esquema. No caso específico da Copape, trata-se de uma peça importante no esquema de lavagem de dinheiro e fraudes que favorece o crime organizado.
Ela é um dos elos com fintechs sediadas na região da Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo (SP). É o caso, por exemplo, do BK Bank, que teve R$ 17,7 bilhões em movimentações financeiras suspeitas. A Receita Federal estima que o esquema criminoso tenha sonegado R$ 1,4 bilhão em tributos federais, enquanto os tributos estaduais sonegados são estimados em R$ 7,6 bilhões.
Só em Mato Grosso do Sul, a Copape sonegou quase metade dos tributos federais. O inquérito aponta que o principal cliente do BK Bank no período investigado foi a distribuidora de combustíveis Aster. Dos R$ 17,7 bilhões em movimentações suspeitas, R$ 2,22 bilhões foram destinados à Aster.
A Aster teve sua atuação suspensa pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em 2024. A empresa pertence formalmente ao empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, mas o verdadeiro dono seria o empresário Mohamed Hussein Mourad.
Mourad era proprietário de uma rede de postos de combustível registrados em nome de laranjas. Ele também seria ligado à Copape. Segundo as investigações, o grupo formado por Copape e Aster era dirigido por um testa de ferro: Renato Steinle de Camargo, diretor administrativo das empresas, que, na prática, seriam geridas por Mohamed Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva.
Essas duas empresas teriam ligação com o PCC, que, segundo a investigação, achacava donos de postos de combustíveis de bandeiras independentes para venderem suas lojas, sob ameaça de morte. Nesses locais, ainda conforme a investigação, eram vendidos também combustíveis adulterados.
“Outra fraude detectada envolvia a adulteração de combustíveis. O metanol, importado supostamente para outros fins, era desviado para uso na fabricação de gasolina adulterada, com sérios prejuízos para os consumidores”, explicou a Receita Federal, em nota.
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