Mato Grosso do Sul chegou a 403 vítimas de homicídio doloso em 2026, distribuídas em 359 ocorrências registradas entre janeiro e este domingo (20). Os dados são da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e mostram que, mesmo antes do fim de setembro, o Estado já se aproxima do total contabilizado em todo o ano passado.
As 403 mortes correspondem a 90,4% dos 446 homicídios registrados durante os 12 meses de 2025. A diferença entre os dois períodos é de apenas 43 vítimas, embora ainda restem pouco mais de três meses para o encerramento de 2026.
Na comparação com os primeiros nove meses do ano passado, o cenário também aponta crescimento. Em 2025, foram registrados 332 homicídios entre janeiro e setembro. Neste ano, mesmo com setembro ainda em andamento, o número já é 21,4% maior.
Entre as vítimas de 2026 estão 206 adultos, 137 jovens, 19 adolescentes, 28 idosos e sete crianças. Em seis casos, a idade não foi informada. A maioria dos mortos é do sexo masculino.
Julho lidera número de mortes
Julho foi, até agora, o mês mais violento de 2026, com 65 vítimas de homicídio. Agosto aparece na sequência, com 55 mortes, enquanto junho contabilizou 53.
Maio registrou 49 homicídios; março, 46; janeiro, 42; abril, 39; setembro soma 31 até o dia 20; e fevereiro apresentou o menor número do período, com 23 vítimas.
Em 2025, o comportamento foi diferente. Janeiro liderou as estatísticas, com 48 mortes. Setembro e novembro tiveram 45 vítimas cada, enquanto março registrou 44. O ano terminou com 446 homicídios dolosos distribuídos em 401 ocorrências.
Execuções no interior
A elevação dos números acompanha uma sequência de assassinatos registrada em diferentes municípios sul-mato-grossenses, incluindo execuções a tiros e crimes investigados por possível ligação com organizações criminosas.
Em Ponta Porã, quatro pessoas foram assassinadas em diferentes ataques entre os dias 28 e 29 de janeiro, intervalo de aproximadamente 24 horas. Parte das vítimas foi executada por homens armados que utilizavam motocicletas.
Nova Andradina também enfrentou uma sequência de homicídios. No início de julho, o município havia chegado ao sexto assassinato em pouco mais de um mês.
Entre as vítimas estava Fabrício Flor de Oliveira, de 19 anos, morto a tiros enquanto estava sentado em uma calçada ao lado do avô. Brendow Kaique Souza da Silva, de 18 anos, foi executado dentro de casa depois que um homem armado invadiu o imóvel.
Matheus de Melo Flores Pinheiro, de 21 anos, também foi morto a tiros. Outro caso foi o assassinato de José Ricardo Flores, conhecido como Ricardinho, atraído para uma falsa negociação de aluguel e executado dentro de um veículo com mais de 14 disparos.
A sequência levou as forças de segurança a investigar a possível atuação de facções criminosas na região. Em julho, a Operação Liberdade Duradoura prendeu suspeitos identificados pela polícia como integrantes do Comando Vermelho e investigou eventual relação do grupo com os homicídios ocorridos no município.
Três mortos dentro de residência
A violência voltou a atingir Nova Andradina na noite de sábado (19), quando três pessoas foram executadas dentro de uma residência em Nova Casa Verde, distrito do município.
Duas mulheres e um homem morreram no local, enquanto um adolescente de 14 anos foi baleado e encaminhado para atendimento médico.
As informações iniciais apontam que dois homens chegaram em uma motocicleta, entraram na residência e realizaram os disparos. A moto apontada como utilizada na ação foi posteriormente abandonada e apreendida. Os suspeitos são procurados.
Também no sábado, Douglas Amorim Lopes, de 36 anos, foi assassinado a tiros no Bairro Jatobá, em Sidrolândia. Uma das linhas investigadas é de possível envolvimento de grupos criminosos.
Segundo a apuração policial, o autor teria utilizado uma mulher como refém para conseguir chegar até a casa da vítima e, em seguida, efetuado os disparos pela janela do imóvel.
Jovens aparecem entre vítimas
Adolescentes e jovens também estão entre as vítimas contabilizadas no Estado. Em Caarapó, um adolescente de 14 anos foi executado a tiros em junho. O caso é investigado, entre outras hipóteses, por possível ligação com disputas entre grupos criminosos.
Em Coxim, Jonatas Douglas da Silva Oliveira, de 22 anos, foi assassinado a tiros dentro de um bar enquanto segurava uma criança no colo. A polícia também apurou eventual relação do ataque com facções.
Em Dourados, o assassinato de Vitor Orsini, de 19 anos, chegou à Justiça. Ele foi executado dentro de uma loja de veículos, e cinco pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público pelo crime.
Os 403 homicídios contabilizados pela Sejusp estão espalhados por diferentes regiões de Mato Grosso do Sul e envolvem circunstâncias variadas, desde conflitos pessoais e dívidas até execuções investigadas por possível atuação de organizações criminosas.
O número ainda não representa o balanço definitivo de 2026. Setembro permanece em andamento, e os registros podem aumentar até o fechamento do mês e nos últimos três meses do ano.
