Uma investigação conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), revelou a existência de uma organização criminosa relacionada ao jogo do bicho, supostamente liderada pela família Razuk.
O grupo mantinha um matador de aluguel, que operava na fronteira com o Paraguai, preparado para eliminar rivais e potenciais delatores.
Segundo o Gaeco, a operação, denominada Successione, descobriu que a organização possuía armamentos de grosso calibre, fornecidos por um membro identificado como executor profissional. Esse indivíduo, Taygor Ivan Moretto Pelissari, foi preso em Ponta Porã dois dias após a operação, portando uma pistola Glock G17.
Mensagens interceptadas durante a investigação mostram Taygor discutindo o uso de fuzis e a execução de inimigos. Em uma das conversas, ele menciona a necessidade de “saber quem era o x9 para matar já”, referindo-se a um delator da quadrilha. Além disso, Taygor enviou imagens de armas, indicando o valor e o calibre dos armamentos.
A investigação também revelou uma lista de alvos da organização, com planos de assassinatos para eliminar rivais e traidores. Um trecho do relatório menciona que a organização colocou a cabeça de um líder rival, conhecido como “Rico” ou “Macaule”, a prêmio, com valores de execução variando entre R$ 50 mil e R$ 100 mil.
“Rico” é identificado como Henrique Abraão Gonçalves da Silva, líder do grupo MTS, que estaria associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e que teria adquirido o controle do jogo do bicho em Campo Grande após a Operação Omertà, em 2019.
A rivalidade entre os dois grupos se intensificou, culminando em confrontos armados em 16 de outubro de 2023, que, embora não tenham resultado em mortes, chamaram a atenção das autoridades devido à sua organização e à ocorrência em plena luz do dia.
Após a primeira fase da Operação Successione, deflagrada em dezembro de 2023, surgiu a necessidade de eliminar o “X9”, o suposto delator, levando Taygor e um interlocutor a discutir essa missão.
Desde o início da operação, que teve quatro fases até agora, 20 pessoas foram presas, incluindo membros da família Razuk. Durante os mandados de busca e apreensão, foram confiscados mais de R$ 300 mil, além de armas, munições e equipamentos utilizados para registrar apostas do jogo do bicho.
