O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) apresentou acusações contra uma organização criminosa supostamente liderada pela família Razuk, implicando-os no planejamento de pelo menos três assassinatos e na utilização de táticas violentas semelhantes às do notório Jamil Name.
O grupo, que inclui o deputado estadual Roberto Razuk Filho, conhecido como Neno Razuk (PL), teria elaborado uma lista com nomes de alvos a serem eliminados no contexto do jogo do bicho em São Paulo.
As informações foram obtidas por meio da quebra do sigilo telemático dos denunciados, que fazem parte da organização criminosa armada liderada pelo deputado e seus familiares, Roberto Razuk, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk.
A família Razuk teria planos para assumir o controle do jogo do bicho em Campo Grande após a queda da família Name, resultante da Operação Omertà. Mesmo após ser alvo da Operação Successione, o deputado continuou suas atividades, incluindo roubos e a elaboração de uma lista de alvos, referida na gíria policial como “quem vai pular”, indicando aqueles que seriam executados.
Os promotores de Justiça destacaram o alto grau de violência associado à organização, afirmando que o grupo planejou, no mínimo, três assassinatos de indivíduos ligados ao MTS, uma organização rival que disputa o monopólio do jogo do bicho na capital.
Em uma das conversas interceptadas, Wilson Souza Goulart, conhecido como Neguinho, alertou um membro do MTS, identificado como “Barba”, sobre a necessidade de mudar de lado na exploração do jogo. “Vai morrer muita gente aí”, disse ele, informando que o grupo havia encomendado o assassinato de um dos líderes rivais, conhecido como “Rico”, por R$ 50 mil.
Neno Razuk já foi condenado a 16 anos de prisão pelo juiz José Henrique Kaster Franco, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande. O magistrado deve analisar a segunda denúncia contra o deputado e mais 19 pessoas, com base na quarta fase da Operação Successione.
O julgamento deve ocorrer rapidamente, pois a maioria dos denunciados, exceto o patriarca da família, que está sob monitoramento eletrônico devido a problemas de saúde, encontra-se detida.
Após a deflagração da Operação Successione em novembro do ano passado, a família Razuk emitiu uma nota negando veementemente as acusações de roubo, planejamento de assassinatos ou qualquer prática ilícita.
Na nota, eles afirmaram que: A imprensa divulgou partes da investigação da nova fase da Operação Successione do Gaeco.Declaramos que ainda não fomos oficialmente informados sobre o que foi apurado. Quando isso ocorrer, iremos nos defender. Ninguém pode ser considerado culpado antes de um processo regular com condenação definitiva.
Negamos com veemência a prática de qualquer ilícito. Nunca fomos ouvidos pelas autoridades; se tivéssemos sido intimados, teríamos prestado depoimentos naturalmente. É falso que formamos uma organização criminosa; trata-se de uma acusação infundada.
É falso que tenhamos planos para desbancar grupos de jogo do bicho de SP e Goiás. É falso e inexistente qualquer ato de violência praticado ou planejado por nós, no Mato Grosso do Sul ou em outro estado. Tudo será esclarecido no momento oportuno no processo judicial. Aguardaremos pacientemente uma decisão justa da Justiça, órgão que respeitamos.
