A promessa do candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul João Henrique Catan (Novo) de colocar um celular “de última geração” nas mãos dos estudantes da rede estadual poderia envolver uma despesa bilionária, dependendo do aparelho escolhido.
A Rede Estadual de Ensino começou o ano letivo de 2026 com cerca de 190 mil estudantes matriculados em 352 escolas espalhadas pelos 79 municípios de Mato Grosso do Sul.
Durante o Frente a Frente, série de entrevistas com candidatos ao governo, Catan afirmou que pretende ampliar o uso de tecnologia nas escolas.
“Nós vamos levar a tecnologia para dentro da escola. Eu vou colocar computador, vou colocar celular de última geração na mão dos estudantes”, declarou.
O candidato, porém, não informou qual aparelho seria distribuído, nem apresentou valor estimado, fonte de recursos ou modelo de aquisição.
Tomando apenas como referência o preço inicial do recém-lançado iPhone 18 Pro, de R$ 11.999 no Brasil, a compra de um aparelho para cada um dos cerca de 190 mil alunos chegaria a aproximadamente R$ 2,28 bilhões. A cifra é uma simulação com preço de varejo e não representa orçamento oficial da proposta.
Uma eventual licitação pública poderia envolver modelos mais baratos e valores diferentes dos praticados no varejo.
Celular tem uso restrito nas escolas
A proposta também teria de ser adaptada às regras em vigor para aparelhos eletrônicos nas escolas.
Desde janeiro de 2025, a Lei Federal nº 15.100 restringe o uso de celulares e outros dispositivos eletrônicos pessoais durante aulas, recreios e intervalos na educação básica. A legislação permite o uso para finalidade pedagógica ou didática, sob orientação dos profissionais de educação, além de prever exceções de acessibilidade, saúde, inclusão e garantia de direitos fundamentais.
Em Mato Grosso do Sul, a Secretaria Estadual de Educação regulamentou a medida pela Resolução nº 4.388, de fevereiro de 2025. A norma também permite aparelhos em atividades pedagógicas orientadas pelos professores.
Saúde
Na área da Saúde, Catan defendeu a criação de uma tabela estadual do SUS, com pagamentos aos hospitais relacionados à produtividade, número de leitos e disponibilidade de especialistas.
Para reduzir as filas de consultas, exames e cirurgias, afirmou que pretende contratar horários ociosos da rede privada, inclusive durante a madrugada.
“Eu prefiro que uma pessoa que esteja passando por dificuldade faça na madrugada, mas resolva com um custo menor para o Estado”, afirmou.
Impostos
Na Economia, Catan prometeu reduzir impostos, rever incentivos fiscais e modificar regras relacionadas ao Fundersul e à pauta fiscal do ICMS.
Também defendeu maior transparência sobre renúncias fiscais e incentivos voltados aos pequenos e médios produtores.
Na área ambiental, propôs ampliar pagamentos por serviços ambientais a proprietários que preservem áreas naturais.
Segurança
Na Segurança Pública, Catan prometeu valorizar policiais, aumentar o auxílio-alimentação e investir em tecnologia e investigação.
O candidato também defendeu reforço da estrutura policial na faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul com Paraguai e Bolívia, com foco no combate ao crime organizado.
