Mesmo após o acordo firmado entre a Santa Casa de Campo Grande, a Prefeitura, o Governo do Estado e o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), médicos da unidade afirmam que os pagamentos seguem atrasados e não foram regularizados.
A situação foi confirmada nesta quinta-feira (15) pelo presidente do Sindmed-MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul), Marcelo Santana Silveira. Segundo ele, o hospital ainda não repassou os valores devidos aos profissionais e, por isso, sindicato e MPMS participam de uma reunião nesta noite para discutir o impasse.
Familiares de pacientes relatam que procedimentos cirúrgicos têm sido cancelados em razão da falta de pagamento da equipe médica. Uma sobrinha de um idoso de 88 anos, internado desde segunda-feira após sofrer fratura exposta em um dedo da mão, contou que a cirurgia estava marcada para quarta-feira (14), mas acabou adiada.
De acordo com o relato, o paciente chegou a permanecer em jejum durante todo o dia, mas a família foi avisada poucas horas antes do procedimento de que a cirurgia não seria realizada. Ainda conforme a sobrinha, o prontuário indicava a falta de pagamento como motivo da suspensão.
“Meu tio é idoso, ficou em jejum ontem o dia inteiro para poder fazer cirurgia. Não fez porque o médico não o recebeu. Então assim, maltrata o idoso que já está internado, já está debilitado. Meu tio tem problema de demência, então é muito difícil. Além disso, temos uma conhecida que está na Santa Casa tentando transferência para o Pênfigo, porque é a mesma situação: ela também não fez a cirurgia por falta de pagamento do médico”, afirmou.
O acordo firmado prevê uma complementação financeira da Prefeitura de Campo Grande e do Governo do Estado para reforçar o caixa da Santa Casa. Ao todo, o hospital deve receber R$ 54 milhões, repassados em quatro parcelas mensais entre janeiro e abril de 2026. O objetivo é garantir a continuidade dos atendimentos e regularizar o pagamento de médicos e demais colaboradores.
Do total, cerca de R$ 10 milhões são referentes a acordos com empresas, além de um aporte direto de R$ 5,2 milhões por parte do município, também dividido em quatro parcelas.
Já o Governo do Estado deve repassar um montante extraordinário de R$ 14 milhões, parcelado em quatro transferências mensais e consecutivas de R$ 3,5 milhões, entre janeiro e abril de 2026. O prazo para ambos os repasses é o dia 10 de cada mês.
A reportagem procurou a Santa Casa para esclarecer a ausência de pagamento aos médicos. O espaço segue aberto para manifestação.

