A COP15, realizada entre os dias 23 e 29 de março em Campo Grande, foi encerrada com resultados considerados inéditos para a agenda ambiental global. O encontro reuniu delegações de 133 países e mais de 2 mil participantes, entre autoridades, pesquisadores e representantes da sociedade civil.
Entre os principais avanços está a inclusão de 40 novas espécies nas políticas internacionais de proteção, ampliando o alcance das ações voltadas à conservação da fauna migratória. O secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e presidente da conferência, João Paulo Capobianco, avaliou a medida como um passo firme no fortalecimento da convenção em escala global.
Outro resultado relevante foi a aprovação de 16 ações concertadas — iniciativas que envolvem cooperação entre países ao longo das rotas migratórias. A proposta busca evitar falhas na proteção das espécies, já que a eficácia depende do comprometimento conjunto das nações por onde os animais transitam.
A conferência também aprovou 39 resoluções voltadas à preservação de habitats, à saúde das espécies e à redução de impactos provocados por infraestruturas, como redes de energia, que interferem nos deslocamentos da fauna.
O Brasil teve atuação de destaque nas negociações e conseguiu aprovar propostas próprias, incluindo a ampliação da proteção a espécies como tubarões e o pintado, peixe típico das bacias do Prata e do Paraguai.
Capobianco ressaltou ainda a organização do evento e a articulação entre os diferentes níveis de governo, destacando a receptividade local. Segundo ele, o encontro consolida o país como protagonista nas discussões ambientais globais e no fortalecimento da cooperação internacional.
Já o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, afirmou que os resultados alcançados representam um marco. De acordo com ele, houve avanço de cerca de 10% na redução do déficit global de proteção — desempenho considerado inédito entre as conferências do tipo.
A programação foi dividida entre a chamada Zona Azul, voltada às negociações oficiais, e atividades abertas ao público em diferentes pontos da cidade. Ao longo da semana, temas ligados ao Pantanal ganharam destaque, com debates sobre a preservação de espécies como o pintado e a convivência entre humanos e onças-pintadas.
A conferência também ampliou a visibilidade de Mato Grosso do Sul no cenário ambiental internacional. Especialistas destacam que a conservação de biomas estratégicos depende de ações integradas entre países, um dos principais objetivos do encontro.
Além disso, comunidades tradicionais e indígenas marcaram presença e reivindicaram participação permanente nas futuras conferências, reforçando a importância da inclusão social nas decisões sobre a biodiversidade.
Para os organizadores, o saldo final evidencia que a cooperação entre nações segue como caminho essencial para promover o desenvolvimento sustentável e garantir a proteção das espécies migratórias em nível global.

