Já preso desde a Operação Infiltrados, policial afastado volta a ser alvo da Justiça em investigação da PF sobre tráfico internacional de drogas, armas e lavagem de dinheiro.
O delegado afastado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, preso desde setembro por suspeitas investigadas na Operação Infiltrados, recebeu um novo mandado de prisão preventiva nesta quarta-feira (4). Desta vez, ele é alvo da Operação Ifrit, desencadeada pela Polícia Federal contra uma organização criminosa ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e ao PGC (Primeiro Grupo Catarinense).
Hoffman estava custodiado na sede do Garras, em Campo Grande. Segundo informações divulgadas pelo Campo Grande News, o delegado foi encaminhado ao Presídio Federal após o cumprimento da nova ordem judicial.
A investigação aponta que o grupo criminoso teria movimentado aproximadamente R$ 500 milhões em apenas dois anos, utilizando empresas de fachada, contas bancárias de investigados e transações comerciais simuladas para ocultar a origem dos recursos.
A operação alcança sete estados e investiga a participação de policiais civis, militares e de um policial rodoviário federal no esquema. Ao todo, foram expedidos 76 mandados de busca e apreensão, 25 de prisão preventiva e um de prisão temporária, além de medidas cautelares.
Segundo a PF, a organização era comandada por integrantes de uma mesma família e atuava no tráfico internacional de drogas e armas. Os investigados também são suspeitos de envolvimento em homicídios, sequestros, torturas e atentados, utilizando armamento pesado e veículos blindados para intimidar adversários.
Defesa tentava libertação
A nova ordem judicial ocorre poucos dias depois de a defesa de Hoffman solicitar sua saída da prisão preventiva. No pedido apresentado em 28 de outubro, os advogados ofereceram alternativas como tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar, entrega de armas e afastamento definitivo das atividades policiais durante a investigação.
Também foi proposta a suspensão do acesso do delegado aos sistemas da segurança pública. Até a divulgação das informações, não havia decisão sobre o pedido.
Procurado, o advogado José Roberto Rodrigues da Rosa afirmou que não faria comentários naquele momento.
Outro policial investigado na Operação Infiltrados, Douglas Tobias, também voltou à mira da PF. Durante buscas em sua residência, no Condomínio Alphaville, em Campo Grande, os agentes apreenderam um Ford Mustang Shelby GT500, avaliado em R$ 370 mil.
Segundo a defesa de Douglas, a Justiça havia revogado sua prisão preventiva na terça-feira (3), no âmbito da Operação Infiltrados. No dia seguinte, ele foi novamente alvo de diligências, desta vez relacionadas à Operação Ifrit.
As investigações continuam para identificar a extensão da participação dos suspeitos e o destino dos recursos movimentados pela organização criminosa.
