Operação IFRIT cumpre 102 mandados judiciais em sete estados e revela suspeitas de tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, sequestros e assassinatos.
Uma organização criminosa apontada como responsável por crimes de extrema violência e com ligações ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Primeiro Grupo Catarinense (PGC) é alvo de uma grande operação da Polícia Federal nesta quarta-feira (4). A investigação também identificou suspeitas de envolvimento de policiais civis, militares e de um agente da Polícia Rodoviária Federal em Mato Grosso do Sul.
Batizada de Operação IFRIT, a ofensiva mobiliza equipes da Polícia Federal e da Receita Federal em sete estados. Ao todo, foram expedidos 76 mandados de busca e apreensão, 25 de prisão preventiva e um de prisão temporária, além de três medidas de monitoramento eletrônico. A Justiça também determinou o afastamento de três policiais civis de suas funções.
Em Campo Grande, os agentes atuam em pelo menos três endereços, incluindo um galpão de cargas na Rua Ceará, um condomínio Alphaville de alto padrão na saída para Cuiabá e um imóvel no bairro Vilas Boas.
A operação também alcança Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai. No centro da cidade, equipes da PF e da Receita Federal foram mobilizadas para cumprir ordens judiciais em um condomínio localizado na Rua General Osório.
Organização utilizava armamento pesado e veículos blindados
Segundo a Polícia Federal, o esquema criminoso era comandado por integrantes de uma mesma família e mantinha conexões com facções de atuação nacional.
As investigações apontam que a organização recorria a sequestros, torturas, atentados e homicídios para intimidar adversários e assegurar o domínio de áreas estratégicas para o tráfico.
Para sustentar suas atividades, os investigados utilizariam armamento de grosso calibre, veículos blindados e uma estrutura logística destinada ao transporte de drogas e armas.
Um dos pontos considerados mais graves pela investigação é a suspeita de participação de agentes de segurança pública. Entre os investigados estão policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul, além de um policial rodoviário federal.
Fronteira com o Paraguai era base do esquema
A região entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, no Paraguai, aparece como o principal centro de atuação da organização criminosa.
De acordo com a PF, o grupo mantinha contatos internacionais para adquirir drogas e armamentos na Bolívia, no Peru e no Paraguai. As mercadorias eram posteriormente distribuídas por diferentes estados brasileiros.
Parte dos carregamentos de entorpecentes também teria como destino o mercado europeu, especialmente Espanha e Portugal.
Além de Mato Grosso do Sul, a operação ocorre em Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia.
As ordens judiciais foram expedidas pela Justiça Federal em Campo Grande. As investigações prosseguem para identificar a extensão da rede criminosa, esclarecer a participação dos agentes públicos e rastrear os recursos movimentados pelo grupo.
