Preso na Operação Infiltrados, Hoffman D’Ávila aceita usar tornozeleira eletrônica, entregar armas e ficar afastado da Polícia Civil para tentar recuperar a liberdade.
Preso desde setembro na Operação Infiltrados, o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa apresentou à Justiça uma proposta para deixar a cadeia: entregar armas, distintivo e carteira funcional, aceitar monitoramento eletrônico e permanecer afastado das atividades policiais.
O pedido foi protocolado na quarta-feira (28), na 8ª Vara Criminal de Campo Grande. Apesar do caráter de urgência, ainda não havia sido analisado até quinta-feira (29). Hoffman permanece recolhido em uma cela da Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco e Resgate a Assaltos e Sequestros (Garras).
A defesa argumenta que a prisão preventiva perdeu sua justificativa após o cumprimento dos mandados de busca, a apreensão de documentos e equipamentos e a apresentação da denúncia pelo Ministério Público Estadual.
Os advogados sustentam que não existem fatos recentes indicando tentativa de destruir provas, ameaçar testemunhas ou interferir na investigação.
Para conseguir a liberdade, o delegado aceita usar tornozeleira eletrônica, entregar o passaporte, cumprir recolhimento domiciliar noturno e não manter contato com investigados e testemunhas. Também concorda em ficar impedido de frequentar delegacias e acessar sistemas policiais, como Sigo, Córtex e Infoseg.
Acusações graves
O Ministério Público acusa Hoffman de integrar uma organização criminosa envolvida no desvio e na comercialização de drogas apreendidas. A denúncia inclui acusações de tráfico, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, desvio de recursos públicos e embaraço à investigação.
Segundo os promotores, o delegado teria ocupado posição de comando no esquema. Entre os episódios investigados está o suposto desvio de parte de um carregamento de 793 quilos de maconha.
A prisão preventiva foi decretada em 14 de setembro, antes da deflagração da Operação Infiltrados, em 24 de setembro. Na ocasião, a Justiça considerou os riscos de vazamento de informações e interferência nas investigações.
Agora, caberá à 8ª Vara Criminal decidir se as restrições oferecidas pela defesa são suficientes para substituir a prisão. Hoffman ainda não foi condenado pelas acusações relacionadas à operação.
