Buscas sobre como morar no país vizinho dispararam mais de 5.000% após as eleições; paraguaios demonstram resistência à chegada de brasileiros
A possibilidade de uma onda migratória de brasileiros para o Paraguai, motivada pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), provocou reações negativas nas redes sociais do país vizinho. Enquanto o interesse por informações sobre mudança de residência disparou no Google, parte dos paraguaios deixou claro que não vê com bons olhos a eventual chegada de novos moradores.
O assunto ganhou repercussão após publicação do jornal paraguaio La Nación, na quarta-feira (28), abordando as oportunidades econômicas que uma possível migração de brasileiros poderia representar para o Paraguai.
Nos comentários, entretanto, a recepção foi pouco amistosa. “Não, obrigado, é melhor que não venham”, escreveu uma internauta. A expressão “Não venham” apareceu em outras manifestações contrárias à possibilidade de aumento da população brasileira no país.
Entre os argumentos apresentados estão as dificuldades enfrentadas pelo Paraguai em áreas como saúde, educação, segurança e mercado de trabalho. Internautas também citaram problemas de infraestrutura urbana, trânsito e conservação das vias públicas, que poderiam se agravar com a chegada de milhares de estrangeiros.
Apesar da repercussão, as manifestações representam opiniões individuais nas redes sociais e não indicam uma posição oficial do governo paraguaio.
Empresário vê oportunidade de crescimento
Em sentido contrário às críticas, o empresário Davi Emerich Vicentini, brasileiro criado no Paraguai e gerente-geral de uma empresa do setor alimentício, avalia que a chegada de novos moradores poderia impulsionar a economia do país.
Em vídeo divulgado pelo La Nación, ele afirmou que a insatisfação política no Brasil pode estimular famílias e empresários a procurar alternativas no território paraguaio, considerado por ele uma “terra das oportunidades”.
Vicentini apresentou uma projeção hipotética envolvendo a migração de 1 milhão de brasileiros e destacou os reflexos que esse movimento poderia produzir no consumo, no mercado imobiliário e na prestação de serviços.
“São pessoas que necessitam de casa, comida, carro, colégio, celular. A economia vai girar e o Paraguai vai se beneficiar muito”, declarou.
Buscas disparam mais de 5.000%
A discussão ganhou força depois que dados do Google Trends apontaram crescimento superior a 5.000% nas pesquisas pela expressão “como morar no Paraguai”, tanto em relação à semana anterior quanto na comparação com o mesmo período de 2025.
O maior volume de interesse foi registrado na segunda-feira (26), um dia depois do segundo turno das eleições presidenciais. As consultas permaneceram em patamar elevado até quinta-feira (29).
Santa Catarina, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Acre e Paraná lideraram o ranking nacional de interesse pelo assunto. Mato Grosso do Sul, que possui extensa fronteira com o Paraguai, apareceu na 12ª colocação.
Além das pesquisas sobre mudança de residência, brasileiros buscaram informações relacionadas ao custo de vida, preços de imóveis, documentação, passaporte e formas de chegar ao país.
Portugal e Uruguai também surgiram entre os destinos pesquisados após o resultado eleitoral.
Apesar da explosão nas consultas, não existem, nos dados apresentados, evidências de que o interesse virtual tenha se transformado em uma migração efetiva de brasileiros. Por enquanto, o fenômeno revela principalmente a repercussão do resultado das urnas e a divisão de opiniões sobre os possíveis impactos econômicos e sociais de uma mudança para o Paraguai.
