MS pode encerrar sequência de 16 anos sem eleger governador no primeiro turno
A eleição deste domingo, 4 de outubro, poderá interromper um intervalo de 16 anos sem que Mato Grosso do Sul escolha seu governador no primeiro turno. A última disputa encerrada na primeira votação ocorreu em 2010, quando André Puccinelli (PMDB) garantiu a reeleição com 704.407 votos, equivalentes a 56% dos votos válidos.
Nas três eleições seguintes, em 2014, 2018 e 2022, a definição do comando do Executivo estadual ficou para o segundo turno. Agora, uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Resultado (IPR) aponta um cenário que, se confirmado nas urnas, poderá encerrar essa sequência.
No levantamento, o governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, aparece com 64,15% dos votos válidos. O ex-deputado federal Fábio Trad (PT), segundo colocado, tem 18,70%.
Para vencer no primeiro turno, o candidato precisa obter mais da metade dos votos válidos, cálculo que exclui brancos e nulos. Quando nenhum concorrente alcança esse percentual, os dois mais votados disputam uma segunda votação.
O modelo foi estabelecido pela Constituição Federal de 1988. O artigo 28 determina que as eleições para governador sigam as regras previstas para a escolha do presidente da República.
Primeiras disputas
A eleição de 1990 foi a primeira para o governo de Mato Grosso do Sul sob a possibilidade de segundo turno. Antes disso, o Estado havia escolhido governadores pelo voto direto em 1982 e 1986, quando não havia previsão de uma nova rodada.
Em 1982, Wilson Barbosa Martins (PMDB) venceu com 258.192 votos, correspondentes a 51,10% dos votos nominais. Quatro anos depois, Marcelo Miranda (PMDB) foi eleito com 412.974 votos, ou 61,39%.
Na estreia das novas regras, em 1990, a disputa terminou sem necessidade de segundo turno. Pedro Pedrossian (PTB) recebeu 417.589 votos e alcançou 59,39% dos válidos. Gandi Jamil (PDT) ficou com 30,90%, enquanto Manoel Bronze (PT) obteve 9,71%.
O mesmo ocorreu em 1994, quando Wilson Barbosa Martins (PMDB) voltou a conquistar o governo. Ele somou 392.365 votos, equivalentes a 53,70% dos válidos. Levy Dias (PPR) terminou em segundo lugar, com 33,31%, seguido por Pedro Teruel (PT), com 10,01%.
Estreia do segundo turno
A primeira eleição estadual decidida em segundo turno ocorreu em 1998 e foi marcada por uma virada. Ricardo Bacha (PSDB) liderou a primeira votação, com 38,50% dos votos válidos, à frente de Zeca do PT, que teve 32,77%. Pedro Pedrossian (PTB) ficou em terceiro, com 27,42%.
Na etapa decisiva, Zeca superou Bacha e venceu com 61,27%, contra 38,73% do adversário. Tornou-se, assim, o primeiro governador de Mato Grosso do Sul eleito em segundo turno.
Em 2002, ao buscar a reeleição, o petista voltou a enfrentar duas votações. No primeiro turno, alcançou 48,33% dos votos válidos, enquanto Marisa Serrano (PSDB) registrou 42,41%. Na segunda rodada, Zeca assegurou outro mandato com 53,74%, diante dos 46,25% da concorrente.
André Puccinelli interrompeu essa sequência em 2006. O então candidato do PMDB conquistou o governo ainda no primeiro turno, com 61,34% dos votos válidos. Delcídio do Amaral (PT) recebeu 38,04%.
Em 2010, Puccinelli repetiu o resultado e garantiu a permanência no cargo com 56% dos votos válidos. Zeca do PT, seu principal adversário naquela eleição, obteve 42,50%. Desde então, nenhum candidato ao governo estadual conseguiu encerrar a disputa na primeira votação.
Três eleições consecutivas
A sequência mais recente de segundos turnos começou em 2014. Delcídio do Amaral (PT) saiu na frente, com 42,83% dos votos válidos, seguido por Reinaldo Azambuja (PSDB), que teve 39,17%. Na segunda votação, Reinaldo reverteu a posição e foi eleito governador.
Quatro anos depois, o tucano voltou às urnas em busca da reeleição. No primeiro turno de 2018, recebeu 44,61% dos votos válidos, enquanto Juiz Odilon (PDT) alcançou 31,67%. Os dois avançaram para a etapa final, vencida novamente por Reinaldo.
Em 2022, a votação ficou mais distribuída entre os candidatos. O então deputado estadual Capitão Contar (PRTB) terminou a primeira rodada na liderança, com 26,71% dos votos válidos. Eduardo Riedel, então filiado ao PSDB, ficou em segundo, com 25,16%.
Na disputa entre os dois, Riedel venceu e conquistou seu primeiro mandato à frente do Executivo estadual.
Das nove eleições para governador realizadas desde 1990, quatro terminaram no primeiro turno: 1990, 1994, 2006 e 2010. As outras cinco — 1998, 2002, 2014, 2018 e 2022 — exigiram uma segunda votação.
Se algum candidato conquistar mais da metade dos votos válidos neste domingo, Mato Grosso do Sul voltará a definir seu governador no primeiro turno, algo que não ocorre desde a reeleição de Puccinelli.
