O ministro Carlos Pires Brandão, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), negou pedido liminar apresentado pela defesa do ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk, e manteve a prisão do ex-parlamentar. Ele está detido desde o dia 2 de agosto e responde a processo relacionado à exploração do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul.
Após rejeitar o pedido provisório de liberdade, o ministro solicitou ao TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) informações adicionais sobre o processo. O MPF (Ministério Público Federal) também deverá apresentar parecer antes do julgamento definitivo.
Na sequência, o recurso deverá ser levado para análise da Sexta Turma do STJ, responsável por examinar matérias de natureza criminal.
Atualmente, dois recursos apresentados pela defesa de Neno Razuk tramitam no tribunal superior com o objetivo de reverter sua prisão. Um deles já se encontra na fase de análise pelo colegiado.
Prisão na Bolívia
Neno Razuk foi detido em 2 de agosto na região de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Na ocasião, havia um mandado de prisão em aberto contra ele no Brasil e também estava em análise um pedido para inclusão de seu nome na lista de Difusão Vermelha da Interpol.
De acordo com as investigações, o ex-deputado deixou o Brasil depois de perder o mandato na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, em maio. A perda da cadeira ocorreu após decisão da Justiça Eleitoral que anulou votos atribuídos a dois candidatos de sua legenda, Loester Trutis e Raquele Trutis.
A Polícia Federal informou que a localização de Neno ocorreu após monitoramento realizado em conjunto com autoridades bolivianas.
A defesa do ex-parlamentar, entretanto, sustenta que ele já havia acertado sua apresentação ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e que estava em deslocamento de volta ao Brasil quando foi abordado.
Neno Razuk foi denunciado pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) juntamente com o pai, o ex-deputado federal Roberto Razuk, que cumpre prisão domiciliar, e os irmãos Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk, também presos.
A denúncia foi apresentada em dezembro de 2025 e recebida pela 4ª Vara Criminal de Campo Grande em janeiro deste ano. O processo é resultado das investigações desenvolvidas na quarta fase da Operação Successione, que apura a atuação de grupos ligados à exploração ilegal de jogos em Mato Grosso do Sul.
