A paralisação de trabalhadores da Opus Construtech que atuam na construção do Projeto Sucuriú, megafábrica de celulose da Arauco em Inocência, chegou ao segundo dia nesta quarta-feira (2), sem anúncio de acordo para encerramento da mobilização.
Os funcionários cruzaram os braços na terça-feira (1º), justamente na data-base da categoria e em meio às negociações que definirão salários, benefícios e demais condições de trabalho para o novo período.
Até o fim desta quarta-feira, não havia confirmação de entendimento entre trabalhadores e empresa que garantisse a retomada integral das atividades afetadas pelo movimento.
A paralisação ocorre após o encerramento da vigência de um dos acordos coletivos aplicados aos profissionais envolvidos na construção do Projeto Sucuriú. O documento registrado no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) vigorou entre 1º de setembro de 2024 e 31 de agosto de 2026 e estabeleceu 1º de setembro como data-base da categoria.
Firmado entre o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil Pesada e o Consórcio MLC Aterpa, o acordo estabeleceu regras específicas para as obras do empreendimento. O documento também previa a adesão às normas por empresas contratadas e subcontratadas enquadradas na mesma atividade predominante.
Salários e benefícios
O acordo anterior estabeleceu reajuste salarial de 6% e definiu pisos diferentes conforme as funções exercidas pelos trabalhadores, abrangendo atividades como servente, ajudante, carpinteiro, eletricista, mecânico, operador de máquinas e soldador.
Também foram fixadas regras para o pagamento de horas extras. De segunda a sexta-feira, o adicional era de 50% para até 40 horas extras mensais e de 60% a partir da 41ª hora. Aos sábados, o percentual chegava a 70%, enquanto domingos e feriados tinham adicional de 100%.
O instrumento previa ainda benefício mensal de R$ 700 para cesta básica, alimentação ou vale-compras, além de folga de campo para trabalhadores que moram longe de Inocência, transporte gratuito entre alojamentos e frentes de serviço, assistência médica e seguro de vida.
Os valores dos pisos salariais e do benefício de alimentação estabelecidos em setembro de 2024 deveriam servir de referência para a negociação do acordo coletivo seguinte.
Reivindicações
Na atual negociação, trabalhadores discutem reajuste salarial, alimentação e outros benefícios. Também existem relatos envolvendo segurança e condições encontradas nas frentes de trabalho, embora esses pontos ainda não tenham sido detalhados oficialmente em uma pauta apresentada pelas partes.
As reivindicações fazem parte de um histórico de negociações durante a implantação da fábrica. Em 2025, trabalhadores envolvidos no empreendimento participaram de mobilizações durante a campanha salarial e apresentaram uma pauta com 16 reivindicações.
Naquele período, a negociação terminou com reajuste salarial de 6,19% e aumento do vale-alimentação de R$ 700 para R$ 900, além de outros benefícios acertados entre representantes dos trabalhadores e das empresas.
Outras paralisações
Esta não é a primeira mobilização registrada entre trabalhadores que atuam na construção da fábrica. Em junho de 2025, cerca de 250 funcionários da Opus Construtech responsáveis pela construção de alojamentos suspenderam as atividades.
Na ocasião, a categoria cobrava o cumprimento de direitos previstos em acordo coletivo, principalmente questões relacionadas ao pagamento de horas extras e às folgas de campo. O movimento durou aproximadamente 24 horas e terminou após negociação, com o retorno dos funcionários ao trabalho.
Outra paralisação ocorreu em fevereiro deste ano, também relacionada a discussões sobre condições trabalhistas.
Desta vez, o movimento acontece em meio à data-base da categoria e em uma das fases mais intensas das obras do Projeto Sucuriú.
Projeto bilionário
O Projeto Sucuriú prevê investimentos de aproximadamente US$ 4,6 bilhões e está entre os maiores empreendimentos industriais privados em construção no Brasil.
A fábrica de celulose está sendo implantada em Inocência e terá capacidade estimada para produzir cerca de 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano quando entrar em operação.
Devido ao tamanho do projeto, diversas empresas foram contratadas para executar diferentes etapas da construção. Por isso, a paralisação dos funcionários da Opus Construtech não representa necessariamente a interrupção de toda a obra da Arauco.
Até o momento, não há informação oficial sobre quantos trabalhadores aderiram à mobilização.
O sindicato responsável pela representação dos funcionários e a Opus Construtech foram procurados para informar o número de trabalhadores parados, as reivindicações apresentadas, o andamento das negociações e eventual previsão para retomada das atividades. Não houve manifestação até a última atualização.
