A proliferação de plantas aquáticas registrada inicialmente no reservatório da Usina Hidrelétrica do Mimoso, em Ribas do Rio Pardo, avançou pelo Rio Pardo e já alcançou a região de Bataguassu. Imagens divulgadas nos últimos dias mostram grandes extensões do curso d’água cobertas pela vegetação.
O fenômeno, que já vinha sendo acompanhado pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), amplia a preocupação com os impactos ambientais ao longo do rio. Relatório do órgão relacionou a proliferação das plantas no reservatório do Mimoso ao excesso de nutrientes, especialmente fósforo, identificado nas águas.
A análise apontou alteração significativa na qualidade da água depois do ponto de lançamento de efluentes da fábrica de celulose da Suzano, em Ribas do Rio Pardo. Conforme os levantamentos, as concentrações de fósforo chegaram a 3,037 miligramas por litro após o lançamento dos efluentes, enquanto antes do ponto analisado o índice registrado era de 0,090 miligrama por litro.
As macrófitas, popularmente conhecidas como “alfaces-d’água”, passaram a formar extensas manchas verdes em diferentes trechos do Rio Pardo. Antes de chegarem a Bataguassu, registros da vegetação também haviam sido feitos em Santa Rita do Pardo.
O avanço ganhou força após a abertura das comportas da hidrelétrica, procedimento adotado para diminuir o acúmulo das plantas no reservatório. Desde então, a vegetação teria percorrido aproximadamente 240 quilômetros pelo Rio Pardo, chegando a áreas próximas à ponte da MS-395 e à foz do rio, no encontro com o Rio Paraná.
A situação provocou reação política. O deputado estadual Pedro Caravina cobrou esclarecimentos do Imasul sobre os efeitos da abertura das comportas e questionou quais providências serão adotadas para retirar as plantas acumuladas nos municípios atingidos.
A preocupação é de que a medida usada para reduzir a concentração das macrófitas no reservatório do Mimoso tenha provocado apenas o deslocamento da vegetação para outros pontos do Rio Pardo, ampliando a área afetada.
O Imasul já havia informado que a multiplicação das plantas está relacionada à presença excessiva de nutrientes na água, condição que favorece o crescimento acelerado da vegetação aquática. O avanço até Bataguassu aumenta a dimensão do problema e mantém em alerta os municípios localizados ao longo do rio.

