As investigações da Operação Gutenberg indicam que o empresário Francisco Anízio dos Santos, dono de uma locadora de veículos e um dos alvos da operação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), exercia um papel relevante na movimentação financeira do suposto esquema envolvendo contratos públicos para aquisição de livros paradidáticos em Mato Grosso do Sul.
De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), Anízio era responsável por buscar Rhayane Souza Fanaia, apontada como testa de ferro da Editora Avante, e levá-la até agências bancárias onde eram realizados saques em dinheiro. Além disso, as investigações indicam que ele também participava da organização da divisão dos recursos entre integrantes do grupo.
As conclusões são baseadas em mensagens obtidas após a quebra do sigilo telemático dos investigados, que mostram o empresário acompanhando a rotina dos saques e combinando previamente os deslocamentos com Rhayane e com Rossana Paroschi Jafar, apontada como líder da organização.
Um dos episódios citados ocorreu em 15 de fevereiro de 2022. Na data, foi realizado um saque de R$ 40 mil das contas da Editora Avante. Conforme o relatório do Gaeco, conversas entre Rhayane e Rossana mostram que Francisco Anízio passaria para buscá-la por volta das 11h e levá-la até a agência bancária. Antes do encontro, Rhayane enviou sua localização para Rossana, que confirmou que o empresário faria o transporte.
Outro caso destacado pelos investigadores aconteceu em 18 de agosto de 2022, quando a editora realizou um saque de R$ 47 mil. Naquela manhã, Rhayane compartilhou sua localização em tempo real com Anízio pelo WhatsApp. Para o Gaeco, as mensagens demonstram que o empresário aguardava a investigada para levá-la ao banco justamente no dia da retirada do dinheiro em espécie.
As conversas também indicam que Anízio orientava quando Rhayane deveria comparecer à agência. Em uma mensagem registrada em 26 de agosto de 2022, ela informou a Rossana: “Anízio pediu pra ir ao banco hoje… acho que pra sacar”.
Segundo o Ministério Público, o conteúdo reforça a suspeita de que Francisco Anízio não atuava apenas como motorista, mas tinha conhecimento da rotina financeira da Editora Avante e participação nas movimentações investigadas.
As apurações apontam ainda que Rhayane realizou 23 saques em espécie entre fevereiro e dezembro de 2022, totalizando R$ 1.066.000. A maior parte das retiradas ocorreu em valores entre R$ 45 mil e R$ 49 mil.
Os investigadores também localizaram mensagens em que Rhayane afirmava não ter acesso ao dinheiro movimentado pela empresa. Em uma das conversas, ela reclama estar “sem nenhum real” e relata não ter recebido sequer o próprio salário, apesar de a Editora Avante ter movimentado cerca de R$ 5,2 milhões em contratos com o poder público no período investigado.
