A Polícia da Bolívia informou que as análises preliminares realizadas sobre a carga de madeira apreendida durante a Operação Timber Shield ainda não confirmaram a presença de cocaína. O carregamento havia sido anunciado inicialmente como a maior apreensão da droga já registrada no Brasil.
A declaração foi feita pelo comandante-geral da Polícia Boliviana, general Mirko Antonio Sokol Saravia, que afirmou que os primeiros resultados laboratoriais não sustentam a suspeita de que entre 20 e 50 toneladas de cocaína líquida estariam misturadas à madeira.
Segundo o oficial, a divulgação oficial dos laudos cabe ao Vice-Ministério de Substâncias Controladas da Bolívia, mas, até o momento, os dados disponíveis não indicam elementos suficientes para manter a investigação sob a hipótese inicial.
“No Brasil houve a abertura da investigação e as análises foram realizadas. As informações oficiais devem ser divulgadas em breve, mas, pelo que sabemos até agora, não foi produzida uma análise que confirme a existência dessa droga”, declarou o comandante.
Operação internacional
A Operação Timber Shield foi realizada de forma conjunta por autoridades do Brasil, Bolívia e Estados Unidos. Durante a ação, oito caminhões transportando aproximadamente 260 toneladas de madeira foram interceptados, sendo quatro em Corumbá (MS) e outros quatro em Cáceres (MT).
Participaram da operação equipes da Receita Federal, Polícia Federal, Polícias Científicas de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, Grupo Especial de Fronteira (Gefron-MT), Fuerza Especial de Lucha contra el Narcotráfico (Felcn), além da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP).
Defesa já havia apontado testes negativos
Desde o início das investigações, a defesa das transportadoras, representada pelo advogado Leandro Lobo, sustentava que os testes químicos preliminares realizados pela Polícia Federal apresentaram resultado negativo para todas as amostras analisadas.
De acordo com o advogado, o próprio inquérito policial registra que a materialidade do suposto crime ainda dependia de confirmação técnico-científica, o que impediria qualquer conclusão definitiva sobre a existência de cocaína na carga.
A defesa afirma que as diligências policiais tinham justamente o objetivo de aprofundar a investigação e submeter o material apreendido a exames periciais mais específicos, ressaltando que suspeitas iniciais não constituem prova da prática criminosa.
Caso segue sem conclusão
A suspeita surgiu após a apreensão, pela Aduana do Chile, de aproximadamente 100 toneladas de uma substância que teria saído da Bolívia misturada à madeira. A partir desse episódio, as autoridades passaram a investigar carregamentos semelhantes, levantando a hipótese de que organizações criminosas estariam utilizando um método sofisticado para ocultar cocaína líquida na carga.
Na operação realizada em Corumbá e Cáceres, a Receita Federal empregou cães farejadores, enquanto a investigação em território boliviano ficou sob responsabilidade da Felcn, com apoio da Aduana Boliviana.
Apesar da repercussão do caso, a Polícia Federal ainda não divulgou um laudo conclusivo confirmando a presença de cocaína, nem informou a quantidade exata da suposta droga encontrada nos carregamentos. As investigações permanecem em andamento e aguardam o resultado definitivo das perícias.
