O cenário da disputa interna do PL pela segunda vaga ao Senado em Mato Grosso do Sul voltou a ficar indefinido a pouco mais de três semanas da convenção estadual do partido, marcada para 1º de agosto, em Campo Grande. A definição que parecia consolidada em favor do ex-deputado estadual Capitão Contar passou a ser reavaliada após uma articulação do deputado federal Marcos Pollon junto à cúpula nacional da legenda, em Brasília.
Segundo informações de bastidores, Pollon se reuniu na quarta-feira com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e com o secretário-geral da sigla, senador Rogério Marinho. Durante o encontro, o parlamentar teria contestado os critérios utilizados para a escolha de Capitão Contar e cobrado explicações sobre o processo que levou à indicação anunciada pela direção nacional.
Ainda conforme interlocutores do partido, Pollon ressaltou que foi o deputado federal mais votado de Mato Grosso do Sul e afirmou que não concordaria com a decisão sem antes discutir os critérios adotados pela executiva nacional.
Outro tema levado à reunião foi a distribuição dos recursos do fundo eleitoral destinados à chapa de deputados federais. De acordo com fontes da legenda, o parlamentar demonstrou insatisfação com informações que circularam sobre o volume de recursos sob sua influência, alegando que a divulgação provocou desgaste político interno.
A movimentação gerou desconforto entre integrantes da direção nacional. Diante do impasse, Valdemar Costa Neto teria evitado confirmar a decisão anteriormente anunciada e defendido a manutenção da unidade partidária. A condução das negociações passou, então, para Rogério Marinho, que decidiu suspender qualquer definição definitiva sobre a composição da chapa em Mato Grosso do Sul.
Conforme dirigentes da legenda, Marinho pretende discutir o assunto com o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, antes de oficializar a escolha da segunda vaga ao Senado.
Com isso, o nome de Capitão Contar deixou de ser tratado como definição encerrada e voltou ao campo das negociações políticas. Nos bastidores, aliados avaliam que a iniciativa de Pollon alterou o ambiente interno da legenda e reabriu uma disputa que muitos já consideravam encerrada.
Apesar da mudança no cenário, integrantes da executiva nacional afirmam que Capitão Contar continua sendo uma das opções para compor a chapa, principalmente pelos resultados obtidos nas pesquisas encomendadas pelo partido, utilizadas como um dos critérios para a escolha inicial. Ao mesmo tempo, reconhecem que a pressão exercida por Pollon impediu que o processo fosse concluído.
A expectativa é de que a direção nacional defina nos próximos dias quem disputará a segunda vaga ao Senado pelo PL em Mato Grosso do Sul.
Enquanto isso, permanece marcada para 1º de agosto, na sede estadual do partido, em Campo Grande, a convenção que homologará os candidatos da legenda para as eleições de 2026. O ex-governador Reinaldo Azambuja já tem assegurada a primeira vaga do partido na disputa ao Senado, restando definir quem completará a chapa majoritária.
Procurado para comentar a reunião com a direção nacional e a articulação para reabrir a discussão sobre a candidatura ao Senado, o deputado federal Marcos Pollon não respondeu aos contatos até o fechamento desta reportagem.
