O coordenador estadual da Central de Regulação e Assistência da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Ed Carlo Britto Burgatt, de 51 anos, preso durante a Operação Gutenberg, recebia remuneração superior à do governador de Mato Grosso do Sul. Dados do Portal da Transparência mostram que, neste ano, seus vencimentos variaram entre R$ 38,9 mil e R$ 62 mil.
Burgatt é investigado pelos crimes de corrupção passiva e ativa. Segundo o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), ele teria recebido propina para favorecer pacientes na fila da regulação de exames, cirurgias e internações na rede pública estadual.
A operação apura um esquema que teria desviado cerca de R$ 27 milhões dos cofres públicos por meio da aquisição de livros paradidáticos. Por determinação da juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias de Campo Grande, foram expedidos 16 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão.
Entre os alvos está Jéssica Duarte Burgatt, filha do auditor, que também teve a prisão preventiva decretada. Ela é sócia da empresa Capital Saúde, fundada em 2021 em Três Lagoas e instalada recentemente em Campo Grande. A empresa atua na comercialização de planos de saúde e possui capital social de R$ 30 mil.
Servidor estadual desde 2014, Burgatt foi nomeado auditor de serviços em saúde e, ao longo dos anos, passou a ocupar cargos de confiança na administração estadual. Antes da prisão, comandava a Central de Regulação, setor responsável pela distribuição de vagas para internações, exames e procedimentos cirúrgicos na rede pública.
Os dados do Portal da Transparência apontam que, em maio deste ano, o servidor recebeu R$ 46.874,04, sendo R$ 32.428,98 de subsídio e R$ 14.445,06 em adicionais. Em abril, a remuneração chegou a R$ 62.068, valor cerca de 75% superior ao subsídio de R$ 35.462 pago ao governador Eduardo Riedel. Nos meses de janeiro e fevereiro, os vencimentos ficaram em torno de R$ 38.950.
Apesar da remuneração elevada, o Ministério Público sustenta que há indícios de que o servidor continuava praticando os crimes investigados, fundamento utilizado pela Justiça para decretar a prisão preventiva.
Os 16 investigados presos na operação passaram por audiência de custódia nesta quarta-feira (8). Em nota, o Governo do Estado informou que determinou o afastamento dos servidores públicos envolvidos nas investigações e anunciou a abertura de auditoria para apurar possíveis irregularidades.
