Os primeiros seis meses de 2026 já colocam Mato Grosso do Sul diante do cenário mais violento dos últimos dois anos. Com a morte de Maurilho Murer Chaves, de 36 anos, assassinado na noite de domingo (21), em Campo Grande, o Estado chegou a 199 homicídios dolosos registrados desde janeiro.
Somente em junho, segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), já foram contabilizados 28 assassinatos, restando ainda mais de uma semana para o encerramento do mês. O número supera o registrado no mesmo período de 2025, quando haviam sido anotadas 197 mortes intencionais, sendo 22 em junho. Em 2024, foram 177 casos no semestre, com 24 ocorrências no sexto mês do ano.
Até então, o maior índice recente era o de 2023, quando o Estado somou 214 homicídios dolosos no primeiro semestre, sendo 31 apenas em junho. Com o ritmo atual, 2026 pode se aproximar ou até ultrapassar esse patamar.
Execução em Campo Grande
Maurilho Murer Chaves foi morto no estacionamento da pizzaria D’Brothers Pan, na Rua Paranaíba, em Campo Grande. Conforme apurado, ele estava em um bar ao lado do estabelecimento e, ao se deslocar até o estacionamento, foi surpreendido por três homens que o aguardavam em uma Volkswagen Saveiro.
A suspeita é de que o crime tenha sido uma emboscada. No local, a perícia recolheu 17 cápsulas deflagradas. Maurilho foi atingido por tiros na cabeça e no tronco e morreu antes de receber socorro.
Ele era apontado pelas forças de segurança como um dos principais chefes do tráfico na região da Vila Nhanhá desde 2014, com atuação no abastecimento de pontos de venda de drogas. Também tinha antecedentes por tráfico e posse de entorpecentes, porte ilegal de arma de fogo e violência doméstica.
Sequência de mortes em junho
O mês de junho tem sido marcado por uma sequência de homicídios em diferentes municípios do Estado. No início do mês, Luiz Guilherme da Costa dos Santos, de 20 anos, foi morto a tiros em uma quadra esportiva no Bairro Parque do Lageado, em Campo Grande.
Dois dias depois, o ator de teatro José Patrik Machado, de 32 anos, foi encontrado morto em um motel na região do Jardim Paulista, também na Capital. Já no dia seguinte, um jovem de 26 anos foi executado com 11 disparos em frente a um conjunto residencial em Maracaju.
No dia 15, um homem foi localizado sem vida em um terreno baldio no Jardim das Macaúbas, com cerca de dez perfurações provocadas por faca. A investigação apontou que o autor seria o próprio enteado da vítima, um adolescente de 15 anos.
Na mesma data, José Ricardo Flores, de 39 anos, foi morto com mais de dez tiros em Nova Andradina, após ser atraído para uma suposta emboscada. Dias depois, Maycon Douglas Gama de Freitas, de 32 anos, foi encontrado morto em um rio na zona rural de Coxim. Ele era considerado foragido por descumprimento de medidas protetivas em caso de violência doméstica.
Queda em outros crimes
Apesar da alta nos homicídios, indicadores da Sejusp apontam redução em outros tipos de crimes patrimoniais em Mato Grosso do Sul. Entre janeiro e abril de 2026, os roubos em vias públicas caíram 57,5% em comparação com o mesmo período de 2023, passando de 1.230 para 554 registros.
Os roubos a estabelecimentos comerciais tiveram queda de 68,1%, saindo de 77 para 26 ocorrências. Já os roubos em residências diminuíram 31,6%, enquanto os roubos de veículos recuaram 43,4%.
Nos casos de furto, sem emprego de violência ou ameaça, a redução foi de 23,9% no comparativo entre os primeiros quatro meses de 2023 e 2026. Já os crimes de latrocínio, que são roubos seguidos de morte, somavam quatro ocorrências em 2023 e não tiveram registros neste ano até agora.

