Representando a viúva e os filhos da vítima, o advogado Tiago Martinho sustenta que Mazzini adquiriu a residência junto à Caixa Econômica Federal após o imóvel deixar de pertencer a Bernal em julho de 2025. Segundo a tese apresentada pela acusação, o ex-prefeito não teria aceitado a perda da propriedade e teria agido movido por vingança.
No documento encaminhado à Justiça, a família também afirma que o disparo fatal ocorreu a curta distância e que Bernal deixou o local sem prestar socorro à vítima. A defesa do ex-prefeito contesta essa versão. Em depoimento durante audiência, Bernal alegou ter atirado após Mazzini avançar em sua direção e afirmou que se dirigiu à 1ª Delegacia de Polícia Civil para comunicar o ocorrido e solicitar atendimento.
Os familiares de Mazzini atuam como assistentes de acusação e reforçaram o pedido já formulado pelo Ministério Público para que Bernal seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri por homicídio qualificado.
De acordo com a promotoria, o crime pode ter sido praticado por motivo torpe, mediante recurso que dificultou a defesa da vítima e com emprego de meio cruel. O Ministério Público também pede o aumento da pena em razão da idade de Mazzini, que tinha mais de 60 anos. Caso essas qualificadoras sejam reconhecidas, o homicídio poderá ser enquadrado como crime hediondo.
Além da acusação de homicídio, o Ministério Público atribui ao ex-prefeito os crimes de violação de domicílio e porte ilegal de arma de fogo. Após a manifestação da defesa, caberá ao juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri decidir se Bernal será levado a julgamento popular.
Enquanto o processo segue em tramitação, a Justiça já rejeitou três pedidos de liberdade apresentados pela defesa. Na decisão mais recente, o magistrado considerou que permanecem os indícios de autoria e materialidade do crime, reforçados pelos depoimentos colhidos durante as audiências. Mais de dez testemunhas foram ouvidas ao longo da instrução processual.
