As conclusões da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Transporte Público, realizada pela Câmara Municipal de Campo Grande em 2025, ganharam novo respaldo após a Prefeitura apresentar dados que confirmam problemas apontados pelos vereadores durante as investigações sobre a concessão do transporte coletivo na Capital.
Na terça-feira (2), parlamentares que integraram a comissão participaram de uma audiência pública promovida pelo Executivo para ouvir a população e discutir o contrato de concessão mantido com o Consórcio Guaicurus. O encontro integrou os trabalhos da comissão especial criada pela Prefeitura para avaliar a execução do contrato e possíveis medidas diante das irregularidades identificadas.
O relatório final da CPI, concluído em setembro de 2025, recomendou a substituição imediata de 197 ônibus que ultrapassaram a idade máxima permitida pelo contrato e sugeriu a intervenção no consórcio como forma de garantir a continuidade e a qualidade do serviço prestado à população.
Após o encerramento das investigações conduzidas pela Câmara, a Prefeitura instaurou uma comissão própria para aprofundar a análise da concessão. Os levantamentos realizados pelo Executivo confirmaram diversos problemas já apontados pela CPI, entre eles a necessidade de renovação da frota para reduzir a idade média dos veículos para cinco anos e falhas operacionais recorrentes na prestação do serviço.
Durante a audiência pública, a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) apresentou números que reforçam o diagnóstico traçado pelos vereadores. Entre 2021 e 2025, o Consórcio Guaicurus acumulou 12,2 mil autuações por descumprimento de horários e outras 3,4 mil por omissão de viagens.
Presidente da Câmara Municipal, o vereador Epaminondas Neto, o Papy, afirmou que o avanço das discussões sobre uma possível intervenção é resultado direto do trabalho desenvolvido pela CPI.
“Acredito que estamos nos aproximando de uma intervenção que foi proposta pelo relatório final da CPI do Transporte Público. Esse desdobramento é fruto da coragem desta Casa em abrir uma investigação sobre um tema complexo logo no primeiro ano da Legislatura. Foram mais de 50 horas de oitivas que resultaram em um relatório consistente e que exige providências para melhorar o transporte público em Campo Grande”, declarou.
Também integrante da comissão, o vereador Junior Coringa destacou que a audiência pública representa um dos primeiros efeitos concretos das investigações realizadas pelo Legislativo.
Segundo ele, o relatório foi encaminhado aos órgãos responsáveis pela fiscalização dos serviços públicos e poderá subsidiar as decisões da comissão coordenada pela Procuradoria-Geral do Município. “A comissão pode ter papel decisivo em uma eventual intervenção e, posteriormente, na abertura de um novo processo para exploração desse serviço essencial à população”, afirmou.
A vereadora Luiza Ribeiro ressaltou que a mobilização conjunta entre Legislativo e Executivo é fundamental para enfrentar um dos principais problemas urbanos da Capital.
“Essa audiência é consequência direta do trabalho realizado pela Câmara. O transporte coletivo é um desafio gigantesco para a cidade e exige união de esforços para construção de soluções. As investigações da CPI foram profundas e demonstraram a importância desse instrumento para analisar temas urgentes que impactam diretamente a população”, afirmou.
A audiência marcou a etapa final dos trabalhos da comissão especial criada pela Prefeitura para apurar possíveis irregularidades na concessão do transporte coletivo. O grupo conclui agora a elaboração de um relatório técnico que será entregue à prefeita Adriane Lopes na próxima semana. A partir do documento, caberá ao Executivo decidir quais medidas serão adotadas em relação ao futuro da concessão do transporte público da Capital.
