O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Receita Federal deflagraram nesta semana uma nova fase da Operação Carbono Oculto, que investiga um complexo esquema de fraudes, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Entre os alvos da ação estão empresas sediadas em Iguatemi, no sul de Mato Grosso do Sul.
Batizada de Operação Fluxo Oculto, a ofensiva cumpriu 55 mandados de busca e apreensão em cinco estados — São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. O objetivo é aprofundar as investigações sobre a atuação de um grupo suspeito de movimentar recursos por meio de distribuidoras de combustíveis, fintechs e fundos de investimento.
Segundo os investigadores, a organização utilizava uma estrutura financeira sofisticada para ocultar patrimônio e promover a circulação de valores oriundos de atividades ilícitas. O esquema teria envolvido a criação de empresas de fachada, uso de laranjas e movimentações financeiras consideradas incompatíveis com as operações declaradas.
Em Mato Grosso do Sul, as diligências voltaram a se concentrar em endereços localizados na zona rural de Iguatemi. Na primeira etapa da investigação, realizada em 2025, diversas distribuidoras de combustíveis instaladas no mesmo endereço foram alvo de buscas. As empresas são apontadas como integrantes de um mesmo grupo empresarial investigado.
De acordo com o MPSP, as apurações identificaram indícios de vínculos entre os operadores do esquema e integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Os investigadores afirmam que o setor de combustíveis teria sido utilizado para facilitar a lavagem de dinheiro e a ocultação de recursos da organização criminosa.
As investigações também revelaram a existência de seis fintechs que atuariam como uma espécie de sistema financeiro paralelo. Essas empresas seriam responsáveis por realizar compensações financeiras entre distribuidoras, postos de combustíveis, fundos de investimento e operadores do grupo, além de efetuar pagamentos de despesas pessoais e empresariais.
Outro foco da operação é o suposto desvio de nafta petroquímica, produto utilizado na indústria química, que teria sido direcionado irregularmente para terminais e postos de combustíveis. Segundo os investigadores, o material era comercializado por meio de uma rede de empresas fictícias criadas para dar aparência de legalidade às transações.
O Ministério Público também apura o uso de fundos de investimento para ocultar os verdadeiros beneficiários dos recursos movimentados pelo esquema. Quatro fundos investigados acumulam patrimônio estimado em R$ 205 milhões, com crescimento superior a 200% em pouco mais de um ano, conforme dados levantados pelas autoridades.
Durante coletiva de imprensa, representantes da Receita Federal informaram que uma das fintechs investigadas movimentou mais de R$ 1 bilhão em espécie. Relatórios de inteligência financeira apontam ainda movimentações consideradas suspeitas que somam aproximadamente R$ 26 bilhões, valor que segue sob análise das autoridades.
A operação prossegue com o objetivo de identificar novos integrantes da organização e ampliar o rastreamento dos recursos supostamente desviados por meio da rede empresarial e financeira investigada.
