Mato Grosso do Sul registrou aumento nos casos de feminicídio em 2025, na comparação com o ano anterior, segundo dados do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O número de mulheres assassinadas passou de 48 para 57, crescimento de 18,8%, a segunda maior alta proporcional do País, atrás apenas de Roraima.
Com os dados, o Estado passou a registrar, em média, uma morte de mulher por semana.
Enquanto Mato Grosso do Sul apresentou avanço nos casos, o cenário nacional foi de queda. De acordo com o levantamento, o Brasil teve redução de 6,7% nos feminicídios entre 2023 e 2024.
Além de MS, apenas outros seis estados tiveram aumento nos registros: Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Paraná e Roraima. O estudo aponta que a tendência nacional ainda é de redução em grande parte do território brasileiro, apesar das diferenças regionais.
Na análise histórica, o Atlas mostra que os feminicídios caíram 32,9% em Mato Grosso do Sul na última década. Já nos últimos cinco anos, a redução foi de 6,6%.
Entre 2014 e 2024, período analisado pela pesquisa, o ano com maior número de assassinatos de mulheres no Estado foi 2014, com 85 ocorrências. Já o menor índice foi registrado em 2023, com 48 casos.
O levantamento também destaca que a violência letal contra mulheres ocorre majoritariamente em contextos domésticos. Segundo o Atlas, o local da agressão é um indicativo importante para identificar situações de feminicídio, especialmente diante das limitações dos sistemas de saúde em diferenciar homicídios de mulheres motivados por violência de gênero.
O estudo ressalta ainda que os feminicídios não se restringem às residências e aponta que houve avanço na capacidade institucional de reconhecer crimes motivados por menosprezo à condição feminina, inclusive em situações ocorridas fora do ambiente doméstico.
Em todo o Brasil, o levantamento contabilizou 3.642 vítimas em 2024, o menor número registrado nos últimos 11 anos, conforme os dados do sistema de saúde.
O Atlas da Violência é divulgado anualmente pelo Ipea e utiliza informações do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), além de dados demográficos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e levantamentos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

