Relatório de auditoria divulgado neste mês de abril pelo Tribunal de Contas da União (TCU) revela que a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) destinou mais de R$ 4,5 milhões, ao longo de cinco anos, para ações de publicidade voltadas à promoção institucional e à divulgação de vagas em cursos de graduação.
Apesar do investimento, a instituição ainda não consegue preencher a totalidade das vagas ofertadas — cenário apontado pelo órgão de controle como um desafio a ser enfrentado. A análise faz parte de uma fiscalização nacional que investigou a baixa ocupação de vagas no ensino superior público, problema que se agravou a partir de 2020 e permanece até hoje.
Dados do Censo da Educação Superior, referentes ao período entre 2019 e 2022, indicam queda de aproximadamente 17% na ocupação de novas vagas nas universidades federais, tendência que se estendeu até 2024.
No caso da UFMS, embora o volume de recursos aplicados em publicidade entre 2019 e 2023 seja significativo, ainda há déficit no preenchimento das vagas. Ainda assim, a situação da universidade é considerada melhor que a média nacional: a taxa de ociosidade gira em torno de 8%, abaixo do índice registrado no País.
Para o ingresso mais recente, foram ofertadas cerca de 9,5 mil vagas distribuídas em 128 cursos, em 10 municípios sul-mato-grossenses. Desse total, aproximadamente 760 vagas permaneceram sem ocupação.
Ao todo, 69 universidades federais foram avaliadas na auditoria, que analisou o acesso e a ociosidade de vagas em cursos de graduação. O trabalho teve relatoria do ministro Bruno Dantas e também incluiu a Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (Sesu/MEC).
Diante dos resultados, o TCU estabeleceu 19 determinações para aprimorar o acesso ao ensino superior, alinhadas à meta 12 do Plano Nacional de Educação (PNE), que trata da expansão e democratização das vagas. Entre as medidas propostas estão a revisão de regras do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), incentivo a modelos híbridos de ensino, ampliação de cursos a distância e ajustes nas grades curriculares para maior adequação às demandas dos estudantes.
A auditoria também destacou que a UFMS foi a única, entre as instituições analisadas, a manter campanhas de divulgação estruturadas e contínuas nos últimos anos.
Em resposta, a universidade informou que tem adotado diferentes estratégias para ampliar o ingresso de estudantes, incluindo múltiplas formas de seleção, como vestibular, PASSE, Sisu e processos específicos para públicos diversos, como atletas, idosos, refugiados e portadores de diploma.
A instituição também afirma ter promovido mudanças nos projetos pedagógicos, com redução de carga horária e flexibilização dos cursos, além da oferta de auxílios e bolsas para incentivar a permanência dos alunos.
Mesmo assim, os maiores índices de vagas não preenchidas continuam concentrados nos cursos de licenciatura, voltados à formação de professores, que registram cerca de 92% de ocupação.
