A decisão do diretório municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) de não aplicar punição ao vereador Landmark Rios, após ele se ausentar em duas votações sobre a taxa do lixo em Campo Grande, abriu um novo foco de tensão dentro da legenda em Mato Grosso do Sul.
A controvérsia teve início depois que o vereador deixou de participar da sessão que analisou o veto da prefeita Adriane Lopes (PP) ao projeto que extinguia a cobrança da taxa do lixo. A manutenção do veto acabou inviabilizando a redução do IPTU e gerou críticas internas, já que o partido vinha se posicionando contra a medida.
A representação contra o parlamentar foi apresentada por Ido Luiz Michels, chefe de gabinete do deputado federal Vander Loubet e presidente estadual do PT, considerado padrinho político de Landmark. O pedido questionava a ausência do vereador na votação, apontando prejuízos à imagem da sigla e aos contribuintes.
Após reunião, a executiva municipal do partido classificou a ausência como “erro político grave”, com repercussão negativa para a população e para a militância, mas decidiu não instaurar procedimento disciplinar. Em nota, o diretório argumentou que, embora tenha havido falha política, não foi identificada infração ético-disciplinar que justificasse sanção formal.
O presidente municipal da legenda e deputado estadual Pedro Kemp negou que tenha havido “perdão”, sustentando que o caso resultou em advertência pública. Segundo ele, o pedido apresentado à comissão de ética não foi analisado porque acabou sendo retirado pelo próprio autor.
Nos bastidores, porém, a decisão não teria sido bem recebida por parte das lideranças petistas, que defendiam uma punição mais dura. Conforme apurado, a retirada da representação ocorreu após uma videoconferência entre o vereador, o deputado estadual e o autor do pedido, em meio a pressões internas para evitar o aprofundamento do desgaste público.
Na representação original, Michels fez críticas contundentes ao vereador, afirmando que a ausência nas votações demonstraria desalinhamento com os princípios partidários e prejuízo direto à população, especialmente em razão do impacto do IPTU de 2026.
O presidente estadual do PT, Vander Loubet, também se manifestou em defesa do aliado, argumentando que não houve ato concreto de indisciplina que justificasse punição. Em nota, reforçou a necessidade de o partido concentrar esforços nas eleições de 2026, com foco na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e no fortalecimento das bancadas federal e estadual.
Os demais vereadores da bancada petista na Câmara Municipal, Luiza Ribeiro e Jean Ferreira, evitaram comentar o desfecho do caso.
Apesar do encerramento formal da representação, fontes internas avaliam que o episódio pode ter aprofundado divisões no partido às vésperas do período eleitoral, quando lideranças envolvidas na polêmica deverão enfrentar o julgamento das urnas e da própria militância.

