Depois de ouvir um “não” do senador Nelsinho Trad (PSD) para uma dobradinha nas eleições ao Senado, o deputado federal Vander Loubet (PT) passou a mirar outro nome de peso da política sul-mato-grossense: a senadora Soraya Thronicke (Podemos).
Em entrevista exclusiva ao Correio do Estado, Vander revelou que já tem reunião marcada com Soraya na próxima terça-feira, em Brasília, ao lado da ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. O objetivo, segundo ele, é “bater o martelo” sobre uma pré-candidatura conjunta pelas duas vagas ao Senado em Mato Grosso do Sul.
“Temos essa reunião com a Gleisi e, de lá, já saímos com uma agenda com o presidente Lula. Nessa agenda também estará o nosso pré-candidato a governador, Fábio Trad, para definirmos pontos da campanha”, afirmou.
Segundo Vander, Soraya demonstrou disposição para deixar o Podemos e se filiar a um partido do campo aliado ao governo.
“Ela está disposta a sair do Podemos e ir para o PDT para fazermos a dobradinha”, garantiu.
O deputado afirmou que a senadora teria sido informada pela direção do Podemos de que não teria garantia de legenda para disputar a reeleição caso mantivesse alinhamento com o governo Lula.
“Por isso conversamos, e ela aceitou a possibilidade de ir para o PDT ou até para o PSB, que deve integrar nossa federação”, disse.
Rejeição no Estado
Questionado sobre a resistência ao nome de Soraya em Mato Grosso do Sul, Vander minimizou.
“Temos duas vagas. Uma é minha, a outra pode ser dela. Desde o ano passado ela vota com o governo. Não vejo problema nenhum”, declarou.
A rejeição à senadora cresceu após a mudança de posicionamento político. Eleita em 2018 na onda bolsonarista, Soraya adotou o slogan de “senadora do Bolsonaro”. Quatro anos depois, rompeu com o ex-presidente, disputou a Presidência da República em 2022 e passou a se aproximar do campo da esquerda.
Desde 2024, tem votado com frequência alinhada ao governo Lula e declarado preferência pública pelo presidente, movimento que rendeu críticas de eleitores da direita no Estado, que passaram a chamá-la de “traidora”.
Foco estratégico no Senado
Vander também afirmou que o presidente Lula trata o Senado como prioridade estratégica nas eleições, diante da movimentação da direita para conquistar maioria na Casa a partir de 2027.
Segundo ele, o Planalto quer impedir que adversários alcancem mais de 41 cadeiras, número que facilitaria a abertura de processos de impeachment contra ministros do STF e a reversão de decisões do Executivo.
Neste ano, estarão em disputa 54 das 81 cadeiras do Senado — dois terços do total — com duas vagas por estado.
Embora ainda não haja candidaturas oficialmente confirmadas, nomes considerados estratégicos já circulam nos bastidores. Um deles é o da ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), que pode disputar o Senado por São Paulo.
A reportagem tentou contato com a senadora Soraya Thronicke, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
