A Justiça decidiu manter, neste domingo (1º), a prisão da influenciadora digital Daniele Santana Gomes, conhecida nas redes sociais como “Coach Irônica” e chamada pela investigação de “pistoleira digital”, após a realização da audiência de custódia. Com a decisão, ela permanece detida preventivamente por suspeita de descumprimento de medida protetiva em um conflito familiar que envolve a sogra e a cunhada.
Daniele, de 31 anos, foi presa na sexta-feira (30), por determinação da 4ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, sob a acusação de violar ordens judiciais ao realizar publicações nas redes sociais. As medidas em vigor proibiam qualquer tipo de contato ou menção pública às mulheres amparadas pela decisão judicial.
Durante a audiência de custódia, a defesa solicitou a libertação imediata da influenciadora, argumentando que a prisão seria ilegal em razão do prazo para a realização da audiência, ocorrida cerca de 48 horas após a detenção, além da inexistência de fundamentos concretos para a manutenção da prisão preventiva. O juiz responsável, porém, entendeu que não houve ilegalidade no procedimento e optou por manter a custódia.
Após a decisão, o advogado Oswaldo Meza Baptista afirmou que a análise da audiência se limitou aos aspectos formais da prisão. Segundo ele, a discussão não avançou sobre o mérito do processo. “A audiência de custódia serve para verificar como a prisão foi realizada e se houve ilegalidade. O juiz entendeu que não houve. Agora, vamos apresentar recurso para buscar a liberdade dela”, declarou.
Ao determinar a prisão preventiva, o juiz Marcus Abreu de Magalhães ressaltou que Daniele teria descumprido de forma reiterada determinações judiciais, configurando o que classificou como violência digital. Na decisão, o magistrado afirmou que a medida visa preservar a integridade física e psicológica das vítimas e de seus familiares, diante da continuidade das condutas atribuídas à investigada.
As medidas protetivas proíbem Daniele e o namorado, Ítalo dos Santos Barros, de se aproximarem das vítimas ou manterem qualquer tipo de contato, inclusive por meios digitais. Também está vedada a divulgação, compartilhamento ou menção a informações, imagens, áudios ou vídeos relacionados às vítimas ou a seus familiares, além da determinação de retirada de conteúdos considerados ofensivos, difamatórios ou vexatórios.
Além do conflito familiar, a influenciadora é investigada em outros procedimentos. Relatório da Polícia Civil, citado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), aponta que ela adotava um padrão recorrente e estruturado de ataques virtuais contra pessoas e instituições de grande visibilidade, estratégia que teria como objetivo ampliar engajamento, alcance e monetização de conteúdo.
Entre os alvos mencionados pela investigação estão médicos, clínicas, empresários, jornalistas, advogados, políticos, influenciadores digitais e até igrejas, em diferentes estados do país. De acordo com o relatório, a repetição, o alcance e a intensidade das publicações ofensivas levaram à alcunha de “pistoleira digital”.
Mesmo após a imposição das medidas protetivas, a Justiça entendeu que houve novo descumprimento das ordens judiciais, o que motivou a decretação da prisão preventiva. Com a decisão da audiência de custódia, Daniele continuará presa enquanto o processo segue em tramitação. A defesa informou que irá recorrer.
