Os vereadores de Campo Grande consumiram R$ 7,763 milhões em verba indenizatória entre janeiro e novembro do ano passado, conforme dados do Portal da Transparência da Câmara Municipal. No topo do ranking de gastos aparecem o Dr. Victor Rocha (PP) e Veterinário Francisco (União Brasil), que utilizaram integralmente o teto mensal de R$ 25 mil.
Na outra ponta, o vereador Clodoilson Pires, o Bispo Clodoilson (Podemos), foi o mais econômico no período, com R$ 222,5 mil.
O montante total só não foi maior devido a uma intervenção judicial provocada por ação popular do advogado mineiro Sérgio Salles Júnior. A medida derrubou o reajuste de 20% aplicado pelo então presidente da Casa, Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB), reduzindo a cota mensal de R$ 30 mil para R$ 25 mil.
Com essa decisão, o custo anual previsto caiu de R$ 10,440 milhões para R$ 8,7 milhões. A Câmara, porém, pode ter uma redução ainda mais expressiva. Uma sentença do juiz Ariovaldo Nantes Corrêa, da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, anulou um reajuste de 78% e fixou o valor mensal da verba indenizatória em R$ 16,8 mil por vereador.
Caso a medida seja mantida, o gasto anual com a verba cairia de R$ 10,4 milhões para R$ 5,846 milhões — uma economia de R$ 4,593 milhões por ano. Em quatro anos, a redução pode chegar a R$ 18,3 milhões, afetando despesas relacionadas à atividade parlamentar e à contratação de assessoria técnica.
Enquanto a decisão judicial não transitou em julgado, os vereadores seguem autorizados a gastar até R$ 25 mil mensais com despesas de apoio ao mandato, como locação de veículos, combustíveis, assessorias e divulgação da atividade parlamentar.
O Dr. Victor Rocha acumulou R$ 275 mil em 11 meses e destinou a maior parte do valor à divulgação do mandato. Segundo o detalhamento, 88% do total foi usado com pagamento de jornais e sites, assessoria de imprensa e mídias sociais. Outros 12% ficaram com serviços jurídicos.
O Veterinário Francisco também fechou o período com R$ 275 mil, utilizando toda a cota disponível. Ele aplicou 72% do montante em publicações, redes sociais e serviços gráficos, enquanto 28% foram direcionados à assessoria jurídica, cerca de R$ 3 mil por mês.
Mantido o ritmo, a projeção é de que ambos encerrem o ano com cerca de R$ 300 mil em verba indenizatória.
O terceiro maior gasto foi do vereador Delei Pinheiro (PP), com R$ 274.932 em 11 meses. Ele destinou 34% do valor (R$ 94 mil) a serviços gráficos, mesmo em um cenário de predominância das redes sociais e aplicativos de mensagens. Outros 32% foram aplicados em assessoria jurídica.
Na sequência aparece Neto Santos (Republicanos), com R$ 274,6 mil no período. Ele gastou cerca de R$ 5,5 mil por mês com locação de veículo, além de valores expressivos em combustíveis.
Já Clodoilson Pires, o Bispo Clodoilson, foi o que menos utilizou a verba, com R$ 222,5 mil. Ele ficou abaixo de Herculano Borges (Republicanos), que somou R$ 247,5 mil, e de André Salineiro (PL), com R$ 253,6 mil.

