Em Mato Grosso do Sul, a reprovação de estudantes na Rede Estadual de Ensino (REE) caiu para 5,38% em 2025, representando uma redução significativa em relação ao ano anterior, quando o índice foi de 10,10%. Este é o menor nível de reprovação já registrado, conforme informou Hélio Daher, titular da Secretaria de Estado de Educação (SED). Essa queda notável ocorreu no primeiro ano em que os alunos foram proibidos de usar celulares nas escolas.
De acordo com dados da SED, aproximadamente 10,2 mil alunos foram reprovados em 2025, o que corresponde à metade do número de 19,1 mil estudantes reprovados no ano anterior. “Esse patamar nunca havia sido alcançado antes. Abaixo de 10% nunca tinha acontecido, então é de longe o melhor resultado”, destacou Daher.
A proibição do uso de celulares nas escolas foi implementada com a entrada em vigor da Lei nº 15.100/2025, que restringiu o acesso a esses dispositivos em instituições de ensino públicas e privadas em todo o Brasil. Além dessa medida, Daher atribuiu a queda na reprovação a outras iniciativas voltadas para a permanência dos estudantes na escola e a melhoria do desempenho acadêmico.
“A diminuição da reprovação é fruto de ações focadas em garantir a permanência dos alunos, com estratégias para melhorar o desempenho e reduzir faltas”, afirmou o secretário. Ele acrescentou que a proibição dos celulares contribuiu para criar um ambiente mais harmonioso, permitindo que os alunos se dedicassem mais às aulas e à construção do conhecimento coletivo.
Uma pesquisa realizada pela SED em agosto de 2025 revelou que a proibição dos celulares nas salas de aula também resultou em uma redução da agressividade entre os alunos, tanto em relação aos colegas quanto aos professores. A pesquisa, que envolveu 342 diretores de escolas estaduais, mostrou que 65,2% perceberam um impacto muito positivo na conduta dos estudantes após a implementação da medida.
Dos diretores entrevistados, 223 relataram melhorias significativas, enquanto 102 notaram uma leve melhora. Apenas 14 diretores (4,09%) não observaram mudanças e 3 (0,87%) relataram um aumento na agressividade. Isso significa que a violência foi reduzida em 98,1% das escolas estaduais.
Sobre a aceitação da medida, a pesquisa indicou que, apesar de alguma resistência inicial, a maioria dos estudantes respeitou a proibição. Em 97 escolas, a reação foi positiva, enquanto em 196 houve resistência que, posteriormente, melhorou. Apenas 49 unidades ainda enfrentavam resistência significativa.
Quanto ao armazenamento dos celulares, 80,9% dos diretores afirmaram que os alunos guardavam os aparelhos desligados em mochilas ou bolsas. A pesquisa também destacou que a qualidade da aprendizagem melhorou, com 61,6% dos diretores notando um aumento na concentração e no engajamento dos alunos em sala de aula.
No geral, 96,7% dos diretores consideraram a medida positiva, embora muitos reconhecessem a necessidade de ajustes. Apenas 2 diretores a consideraram negativa, enquanto outros 9 se mostraram neutros quanto aos resultados da proibição.
