Mesmo após uma operação da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras) ter desmantelado a base administrativa do grupo de jogo do bicho liderado por Roberto Razuk e seu filho, o deputado estadual Neno Razuk, a organização criminosa rapidamente se reestruturou.
Conforme relatórios do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), o grupo iniciou suas atividades em um novo imóvel alugado para continuar a operação. Após um ataque do Garras em outubro de 2023, que resultou na apreensão de equipamentos usados na contravenção e na prisão de membros do grupo, os criminosos rapidamente buscaram uma nova sede e alugaram uma residência no Portal do Panamá.
O relatório da quarta fase da operação destaca que, assim que a base anterior foi descoberta, o grupo não hesitou em procurar um novo local para manter suas atividades ilícitas. A ação no Monte Castelo ocorreu em 16 de outubro de 2023, e em 2 de novembro, a nova sede já estava alugada, sendo ocupada apenas oito dias depois.
Em maio deste ano, a organização já havia estabelecido um novo espaço no Jardim São Lourenço. Os locais escolhidos são caracterizados por serem fechados, com segurança reforçada e pouca visibilidade, situados em ruas de baixo movimento.
A pressa do grupo em retomar as operações é evidenciada pela compra de 30 novas maquininhas de jogo do bicho, chamadas terminais P.O.S. (pontos de venda), adquiridas em 11 de novembro de 2023, para substituir os equipamentos apreendidos.Além de suas atividades regulares, a organização também planejava abrir um cassino em Mato Grosso do Sul.
Os detalhes sobre a localização não foram revelados, mas a iniciativa contaria com a colaboração da família Razuk e de Gerson Chahuan Tobji, um dos investigados na operação. Segundo um depoimento de Flávio Henrique Espíndola Figueiredo, o cassino seguiria o modelo do Cassino Amambay, em Pedro Juan Caballero, confirmando assim os vínculos da organização com jogos ilícitos.
Na operação, que resultou na quarta fase da Operação Successione, Roberto Razuk, seus dois filhos e mais 17 pessoas tiveram prisões decretadas. As ordens de prisão e 27 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em várias cidades, incluindo Campo Grande, Corumbá e Dourados, além de estados como Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul.
O Ministério Público destacou que as fases anteriores da Operação Successione mostraram a atuação de um grupo violento e armado, envolvido na exploração de jogos ilegais e outros crimes, além de assaltos com uso de arma de fogo. O nome “Successione” refere-se à disputa pelo controle do jogo do bicho na capital, após a queda da família Name.
Em nota, a defesa dos Razuk, composta pelos advogados André Borges e João Arnar, afirmou que ainda não recebeu oficialmente as informações sobre a nova fase da operação e que, quando o fizessem, se manifestariam nos autos.
A defesa negou qualquer envolvimento em crimes e contestou a existência de uma organização criminosa, bem como planos de competição com grupos de jogos do bicho de São Paulo e Goiás. Roberto Razuk atualmente cumpre prisão domiciliar.
