O prefeito de Porto Murtinho, Nelson Cintra (PSDB), foi flagrado exibindo uma arma de fogo na cintura durante o carnaval de rua do município. A cena ocorreu no Porto Folia 2026, evento que reuniu shows musicais, atrações locais e atividades voltadas ao público familiar.
A imagem, que circula nas redes sociais, mostra o prefeito ao lado da senadora Soraya Thronicke (Podemos), do empresário Carlos César Batista e da primeira-dama Maria Lúcia Barbosa Ribeiro. Na cintura de Cintra é possível identificar um revólver Taurus RT 838 calibre .38, conhecido como “três oitão”.
A legislação brasileira, com base no Estatuto do Desarmamento (Lei nº 10.826/2003), veda o porte ostensivo de arma de fogo em locais públicos com aglomeração, mesmo para quem possua autorização legal. O transporte deve ser feito de forma oculta; a exibição pode caracterizar porte ilegal, ameaça ou até disparo ilegal, a depender do contexto, com penas que variam de dois a quatro anos de prisão.
Na imagem, o prefeito não aparenta tentar ocultar o armamento — a camiseta está dobrada justamente na região onde a arma se encontra. Procurado, Cintra não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta reportagem.
Histórico de polêmicas
O nome do prefeito já esteve envolvido em outras controvérsias. No fim de 2025, ele foi filmado em aparente estado de embriaguez durante um evento no Jockey Clube Cancha de Carreira, próximo ao aeroporto local, apresentando dificuldade para se locomover e sendo auxiliado por pessoas próximas, entre elas o então presidente da Câmara Municipal, Sirley Pacheco.
Em novembro do mesmo ano, uma publicação do próprio gestor o mostrou consumindo bebida alcoólica em um barco durante agenda oficial que acompanhava a visita do senador Nelsinho Trad (PSD-MS) à cidade, em deslocamento para uma vistoria técnica das obras da ponte da Rota Bioceânica. A postagem gerou críticas de moradores quanto à postura do prefeito em compromisso institucional.
Há ainda registros de uma confusão com um morador identificado como Johnny Montanha, durante fiscalização de obra do dique municipal, episódio que terminou com a intervenção da Polícia Militar.
Investigações e cargos
Cintra também figura entre réus investigados na Operação Vostok, que apura crimes de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo supostos repasses da JBS a agentes públicos em Mato Grosso do Sul. As investigações apontam que os pagamentos teriam como objetivo a concessão de benefícios fiscais, com posterior “reintrodução” dos valores por meio de doações de campanha, notas fiscais falsas e pagamentos em espécie.
Segundo o Ministério Público Federal, o esquema teria causado prejuízos significativos aos cofres estaduais entre 2015 e 2016, período do governo de Reinaldo Azambuja.
Em sua trajetória administrativa, Nelson Cintra comandou a Fundação Estadual de Turismo (Fundtur) até março de 2017, quando passou a atuar na articulação com municípios. Ele deixou o cargo após denúncia de assédio sexual feita pela jornalista Nilmara Calamarac.
O episódio do carnaval reacende o debate sobre conduta de autoridades em eventos públicos e o cumprimento da legislação de controle de armas no país.
