Após a notícia de uma tentativa de estupro contra uma corredora na Avenida Rita Vieira, em Campo Grande, uma professora compartilhou sua experiência de assédio por parte do mesmo homem na mesma área. Juliana*, que caminhava na região, relatou que foi importunada verbalmente enquanto se exercitava.
Na manhã de sexta-feira (2), Juliana recordou o incidente que ocorreu por volta das 7h. “Eu costumava caminhar ali na Avenida Rita Vieira. Antes de chegar à rua Rotterdam, esse homem veio de bicicleta e começou a me assediar”, contou.
O agressor, cuja imagem estava circulando em grupos de WhatsApp, seguiu a professora durante seu percurso, fazendo comentários inapropriados. “Eu olhava para trás e o via ali”, lembrou, ressaltando que ele não estava pedalando rapidamente.
Ao se sentir ameaçada, Juliana decidiu confrontá-lo. “Parei e disse: ‘Cara, qual é a sua? Mais respeito’”, recorda. Apesar de sua reação, o assediador continuou a importuná-la, chamando-a de “moça bonita” e fazendo comentários inadequados. “Eu estava tão nervosa que tremia”, disse.
A situação só se resolveu quando Juliana decidiu mudar de direção. “Atravessei a rua e fiquei observando para ver se ele me seguiria. Ele seguiu em frente, de bicicleta”, contou. O medo tomou conta dela durante os longos minutos em que foi assediada. “Ele ficou um tempão atrás de mim falando coisas. Eu não tinha para onde ir”, relatou.
Ao voltar para casa, Juliana ficou abalada. Após ver a foto do suspeito na notícia sobre a tentativa de estupro, ela reconheceu o homem como seu agressor. Essa experiência a levou a mudar seus hábitos, agora caminhando apenas “sem fones de ouvido e mais atenta ao redor”.
Juliana afirmou que a Avenida Rita Vieira se tornou um local inseguro para ela. “Agora vou para a pracinha do Peixe, que tem mais movimento e casas ao redor. Dá para gritar, alguém pode ajudar”, explicou, destacando sua falta de coragem para caminhar na avenida novamente.
Apesar do trauma, a professora mantém a esperança de um futuro mais seguro para as mulheres no Estado. “Acredito que precisamos de mais segurança e punições severas para esses agressores”, sugeriu.
O caso da quinta-feira (1) envolveu uma mulher que estava correndo na avenida quando foi abordada pelo agressor, que portava uma faca. Inicialmente, ela pensou que se tratava de um roubo e tentou entregar seu celular, mas o homem afirmou que não estava interessado no aparelho, mas sim em levá-la para uma área isolada.
Sob ameaças, ele tentou forçá-la a ir para um terreno baldio, mas foram interrompidos por um policial militar do Batalhão de Choque que estava de folga. O agressor abandonou a faca e fugiu, mas foi alcançado pelo policial. Além da faca, ele possuía um gel lubrificante, indicando sua intenção de cometer um ato sexual.
Durante a abordagem, o homem confessou que havia deixado sua esposa gestante e um filho em casa, saindo com a intenção de ter relações sexuais com alguma mulher.
O Batalhão de Choque da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul orienta a população sobre a importância dos cuidados de segurança durante as atividades físicas.
O policiamento foi intensificado em áreas onde ocorrem exercícios físicos, especialmente nos horários mais propensos a esses crimes. O subcomandante Cleyton recomenda que as pessoas façam atividades em dupla e em locais com maior circulação de pessoas para aumentar a segurança.

